Artigo originalmente publicado na Revista Norte@mentos(B4), no link sinop.unemat.br/projetos/revista/index.php/norteamentos/article/.../1218
Gabriel
Nascimento dos Santos1
Maria
D’Ajuda Alomba Ribeiro2
RESUMO
O presente trabalho tem como
objetivo discutir a importância do livro didático de Português
como Língua Estrangeira (doravante PLE) de acordo com o
realinhamento epistemológico presente no ensino de línguas que se
inscreve na ordem do ensino/aprendizagem crítico-reflexivos. Assim,
procura-se debater de que maneira os livros didáticos incentivam o
professor em sua postura enquanto profissional crítico-reflexivo.
Para tal, utilizamos como corpora as páginas de dois livros
coletados e buscamos remeter a análise ao referencial teórico
utilizado, o qual vai desde as teorias sobre o professor
crítico-reflexivo até a Linguística Aplicada.
Palavras-chave:
Livro didático; PLE; Profissional crítico-reflexivo.
Introdução
O papel do livro
didático (doravante LD) diante do ensino de línguas é interesse
frequente em trabalhos de pesquisa e pós-graduação na maioria das
universidades brasileiras há, pelo menos, cinco décadas (FRETAG ET
alli, 1989). A partir da consolidação do interesse por tal objeto,
tornaram-se frequentes estudos que situam o LD como acessório, mas
importante na atuação do professor. Nesse sentido, é preciso
recordar que as teorias sobre a atuação do professor são muitas e
já passaram por diferentes fases.
Em uma dessas
fases, por exemplo, encontramos pesquisas que buscam analisar qual o
papel do livro didático diante do papel do professor (STERNFIELD,
1997; ALOMBA RIBEIRO, 2012; TOSATI, 2013). No entanto, para o
posicionamento de qual livro queremos, é preciso indicar quais
teorias sobre o papel do professor nos baseamos para, a partir daí,
delimitar os objetivos da presente pesquisa. No que diz respeito ao
papel do professor em sala de aula, dialogamos com teorias sobre o
ensino e aprendizagem que primem diretamente para uma reconfiguração
do savoir-faire3educacional.
Sua configuração atual é resultado de uma escola autoritária,
antidemocrática em que a escola tem o papel de formar o sujeito para
a vida adulta, sendo que tal sujeito não é formado para responder
às demandas da vida social em colaboração e espírito democrático,
mas para ser superior a outro ser humano e poder ensiná-lo como seu
superior (DEWEY, 1959).
Essa configuração
dialoga com aspectos da racionalidade técnica em que não se leva em
conta os sentimentos, crenças e aspirações humanas uma vez que o
cientista, o profissional são coisificados ou reificados4
pelo sistema capitalista, tomados apenas como máquinas para produzir
a mais-valia, o capital e propiciar às classes dominantes a
acumulação do mesmo (MARX,2000; MARX & ENGELS, 2007). Porém,
ao situar a educação no conflito de classes percebemos que a sala
de aula que tem a função primordial de ser espaço democrático
feito para a vida em solidariedade e construção coletiva é apenas
espaço de reprodução. Desse modo, não caminha na direção de
modificar a sociedade, mas de reproduzi-la com suas desigualdades.
Nessa configuração da educação na arena da luta de classes,
reconhecemos a importância da atuação do professor como
profissional crítico-reflexivo. A conceituação mais conhecida tem
origens conhecidas em Dewey na primeira metade do século XX, o qual
criticou arduamente o papel da educação em sua época, defendendo a
reconfiguração das instituições escolares. O desdobramento das
abordagens sobre o professor crítico-reflexivo chegou ao ensino de
línguas através da Linguística Aplicada, esta pensada para ser
transdisciplinar e com o objetivo de reconfigurar a investigação
linguística.
Para tanto, são
escassos os estudos que verificam as condições que os LDs dão aos
professores crítico-reflexivos em sala de aula. Compreendemos,
partindo da discussão acima, que os LDs possam apoiar o professor
como material acessório, pois não pode interferir na autonomia do
professor em sala de aula. Diante disso, visamos pesquisar o seguinte
problema:O livro didático/manual de Português como Língua
Estrangeira (doravante PLE) incentiva o professor a atuar como
profissional crítico-reflexivo? Se sim, de que modo?
A escolha pelo livro
didático/manual de PLE se deu pelo crescimento do interesse de
aprender Português na América Latina desde a criação do Mercado
Comum do Cone Sul (MERCOSUL). No resto do planeta e, principalmente
no contexto eurocêntrico e anglocêntrico, após a crise econômica
de 2008 que deixou em recessão os Estados Unidos e o Bloco Europeu.
Liderado por reformas sociais, expansão do crédito, aumento no
preço das commodities, e erradicação da pobreza extrema, o
Brasil se tornou mercado exportador mais forte ao mesmo tempo que
mais consumidor do que antes (SADER, 2010; POCHMANN, 2011), com a
expansão da classe trabalhadora em que o momento de expansão da
classe foi concomitante ao crescimento do consumo pela classe
(SINGER, 2012). Partindo dessa discussão, com a visibilidade do
Brasil no mundo, o pleno emprego, o contexto para investimento do
capital privado, o Português do Brasil tornou-se uma língua de
interesse.
Dado o contexto
acima, o qual não pode ser relegado a segundo plano por uma pesquisa
de ciências sociais aplicadas ou humanas, pois o ensino de PLE tem
crescido mais fora do Brasil do que em território nacional (ALMEIDA
FILHO& LOMBELLO, 1992) graças à visibilidade do Brasil no
mundo. Ou seja, mesmo com todo o potencial do país, há mais
contextos voltados para o ensino e aprendizagem fora dele do que em
território nacional e é preciso que políticas linguísticas mudem
esse status. Assim, faz-se necessário investigar o contexto dos
LDs/manuais de PLE e a sua contribuição para propiciar material na
atuação do professor crítico-reflexivo por acrescentar ao
interesse de internacionalizar o Português ou pelo menos trabalhar
para sua implementação como língua mundial.
Para tanto, será
feita uma análise qualitativa de dois LDs/manuais de PLE de
diferentes épocas, procurando descrever as atividades que permitem a
interação e a reflexão dos sujeitos (professor e aluno) sobre o
ensino e aprendizagem e a respeito de temas sociais de impacto para o
processo.
Assim, acreditamos
que os livros didáticos analisados não propiciem ao professor
opções em sua atuação enquanto profissional crítico-reflexivo
por reservarem o maior percentual das seções para atividades
estruturalistas, relegando a segundo plano a construção do sujeito
histórico na língua-alvo, além das idiossincrasias dele e da
cultura da língua-alvo, bem como a possibilidade de reflexão do
aluno diante do ensino, da abordagem nele utilizada, do contexto
cultural proposto e/ou imposto, entre outros. Por isso, escolhemos
dois LDs de diferentes épocas, procurando entender a mudança de
posicionamento do livro quanto à abordagem dos autores de tais
livros em diferentes épocas.
Essa atual fase que
mencionamos, refere-se diretamente a uma escola com objetivos
voltados para a reflexão sobre a práxis escolar e os fatos
culturais, políticos, sociais e econômicos que afetam direto ou
indiretamente as relações escolares. Portanto, é a partir dessa
apresentação que começamos a delimitar os nossos objetivos.
O
professor crítico-reflexivo e as novas teorizações sobre a prática
As teorizações
sobre o professor reflexivo precedem as teorias sobre o
ensino/aprendizagem de Língua Estrangeira, tendo entre as duas um
diálogo constante no percurso epistemológico do século XX. Na
história da Educação, John Dewey aparece como um dos precursores,
norteando a pesquisa sobre o repensar do papel político da escola em
uma sociedade estratificada. Mais tarde a solidificação dá-se
graças aos avanços no realinhamento epistemológico sobre as
pesquisas em sala de aula, sendo que se tornou mais frequente
discutir a autoformação do professor como pesquisador de sua
prática (SILVA, 2011; ALMEIDA FILHO, 2005). Assim, nesse contexto,
nos fundamentamos nos postulados de Alarcão (2001) para poder pensar
uma postura mais reflexiva por parte da escola e por parte do
professor.
Antes, porém, é
preciso conceituar o que entendemos por professor crítico-reflexivo.
Trata-se de um conceito cunhado pelos estudiosos em educação, sendo
que o profissional é aquele que tem em sua execução práticas mais
dialéticas e dialógicas que permitam à sala de aula ser
interdisciplinar, plural com o incentivo das capacidades de reflexão
do aluno enquanto sujeito de sua história e atravessado por
discursos, alguns dos quais de sua pertença, de sua comunidade, de
sua família (DEWEY, 1956, 1959; NÓVOA, 1997; ALARCÃO, 2001).
Portanto, o sujeito constitui-se a partir de sua história, com suas
crenças e idiossincrasias.
Ao contrário da
escola racionalista, aquela em que o intelectual e o profissional
eram tomados como neutros, podemos compreender que estamos em um
tempo de realinhamento escolar, em que não se pode pensar o
profissional senão enquanto ser subjetivo, dotado de sentimentos e
crenças. Desse modo, ao falar de crenças, estamos diretamente
provocando a discussão sobre a reflexão do professor enquanto
sujeito.
Partindo do
posicionamento acima, toda a discussão sobre realinhamento
metodológico nos leva a compreender que não é mais possível
conviver com práticas antidemocráticas que não levem professor e
aluno a se pensarem em sala de aula. Posto o problema, cabe ao
professor e à instituição escolar ofertarem condições de
reflexão sobre a prática, pois:
Uma escola reflexiva pressupõe
uma comunidade de sujeitos na qual o desenvolvimento das relações
pessoais no seu sentido mais autêntico e genuíno deverá estar no
centro das atitudes, dos conhecimentos e da comunicação. Nem seria
possível de outra forma, visto que a reflexibilidade é um atributo
próprio da pessoa, como espaço aberto que possibilita a vinda das
coisas, dos objetos e dos outros sujeitos à presença no ato da sua
apresentação e representação. Por isso, são necessários
sujeitos inteligentes, responsáveis e livres, sujeitos-pessoa,
professores, alunos e demais agentes educativos, reflexivos em uma
escola reflexiva [...] (ALARCÃO, 2001: 31).
Por outro lado, a
formação de professores têm legado pouca atenção à necessidade
de professores mais crítico-reflexivos. Como de costume, os cursos
de formação de professores têm se dividido em dois blocos. O
primeiro, sendo teórico, toma a maior parte dos cursos. O segundo
vem ao final em forme de estágios e práticas de pesquisa. Ora,
entendemos nós, trata-se de um modelo tradicional e racionalista em
que as teorias são criadas para aplicação e não se entende a
teoria como um possível componente a ser obtido a partir da prática
(SILVA etalli, 2011; MOITA LOPES, 2008a). Assim:
A formação de professores tem
ignorado, sistematicamente, o desenvolvimento pessoal, confundindo
“formar” e “formar-se”, não compreendendo que a lógica da
actividade educativa nem sempre coincide com as dinâmicas próprias
da formação. Mas também não tem valorizado uma articulação
entre a formação e os proyectos das escolas, consideradas
como organizações dotadas de margens de autonomia e de decisão de
dia para dia mais importantes. Estes dois “esquecimentos”
inviabilizam que a formação tenha como eixo de referência o
desenvolvimento profissional dos professores, na dupla
perspectiva do professor individual e do colectivo docente (NÓVOA,
1997: 24).
Assim, podemos
dizer que a escola tem esquecido o sujeito contido no professor, além
de burocratizar as relações escolares e oferta de más condições
de trabalho e materiais conservadores, estruturalistas e que não
permitem, ao professor maior embasamento e autonomia. Dessa maneira,
uma escola e um professor não reflexivos não são políticos, logo
não se compreendem pertencentes aos sistemas de dominação
ocidentais, às lógicas opressoras, cujas características podem
dificultar o processo de ensino/aprendizagem. No que concerne aos
objetivos deste trabalho não refletem sua condição de exploração
e nem fomenta modos de mudá-la em suas práticas. Essa situação
pode ser exemplificada a partir de um fato retirado do livro Oficina
de Linguística Aplicada do linguista Moita Lopes o qual, ao
expor o excerto de uma aula de Inglês, mostra uma professora que diz
estar ensinando a seus alunos “a língua do civilizado”,
pressupondo os discentes brasileiros de sua classe como não
civilizados, mal educados e incompetentes. A professora do exemplo de
Moita Lopes (2008b), além de não ser reflexiva, incute em seu aluno
de LE um sentimento de inferioridade que, ao invés de lhe ajudar a
aprender a língua-alvo, pode fazer odiá-la.
Por isso,
compreendemos que a prática do professor reflexivo, aquele que ouve
e é ouvido por seu aluno e é mediador dos conflitos interculturais
(como veremos na próxima seção em relação à Linguística
Aplicada e LE), pode esbarrar na burocracia escolar, numa escola não
crítico-reflexiva e com materiais não crítico-reflexivos. Com toda
discussão acima, tentamos, nesta seção, contextualizar o debate
sobre o realinhamento metodológico do ensino e aprendizagem em nossa
sociedade atual buscando fazer o percurso que levará à análise do
livro didático e suas condições ofertadas para um ensino
crítico-reflexivo.
Acreditamos,
conforme nossa hipótese, que o livro didático também não dê
condições ao professor de ter material de trabalho quanto ao
incentivo à reflexão em sala de aula.
O ensino de
línguas, o professor de LE/PLE e a Linguística Aplicada
No que diz respeito
ao ensino de línguas, até o final da Segunda Guerra, os
Departamentos de Psicologia, segundo Almeida Filho (2005), eram
responsáveis por teorizar as possibilidades para o
aprendizado/aquisição de Língua Estrangeira. Durante a guerra, no
entanto, a Linguística Aplicada foi desenvolvida em contexto de
aplicação das teorias da Linguística Geral, fomentando o contato
entre os soldados norte-americanos com outros oriundos de outros
países aliados de guerra. Assim, o surgimento da Linguística
Aplicada, ainda em contexto de aplicação das teorias
estruturalistas e gerativistas, permitiu o estabelecimento de teorias
sobre o ensino/aprendizagem de línguas (MOITA LOPES, 2008a). Essas
teorias, no entanto, em seu contexto de aplicação, não deram conta
da prática do professor enquanto sujeito crítico-reflexivo. A base
para analisar o professor só foi possível graças às mudanças na
concepção da Linguística Aplicada (doravante LA) enquanto campo
interdisciplinar, com objeto próprio, distinto da Linguística
Geral, e com um quadro metodológico diferente (ALMEIDA FILHO, 2005;
MOITA LOPES, 2008b).
Assim, no que
condiz à pesquisa científica, a Linguística Aplicada não precisa
do arquétipo tradicional de ser “aplicada a alguma coisa” e,
portanto, estar em contexto de aplicação observando os problemas
práticos da linguagem para dele tirar teorias, como defende Almeida
Filho (2005). Por como Linguística Aplicada, entendemos o campo
interdisciplinar que se preocupa com problemas de ordem prática da
linguagem e que, para investigar tais problemas de seu objeto
empírico, desenvolve-se a partir da base de outras ciências humanas
e sociais no intuito de compreender seu objeto empírico, a
linguagem, e dele fazer uso enquanto objeto teórico. Nesse sentido,
só é possível construir conhecimento em Linguística Aplicada
quando atravessamos e substituímos a lógica tradicional de
aplicação por outra, interdisciplinar, transdisciplinar, em que
teoria e prática se reconstruam mutuamente (MOITA LOPES, 2008a).
Assim, só foi
possível conceber um professor crítico-reflexivo a partir de novos
percursos e de uma nova agenda para a Linguística Aplicada que não
aquela de aplicação, desenvolvida principalmente no contexto da
Segunda Guerra. A partir desse desenvolvimento, o foco atual na
formação de professores tem se voltado para o professor em sala de
aula, procurando observar qual o papel das crenças dos alunos, dos
professores e da comunidade escolar sobre o ensino/aprendizagem de
línguas (BARCELOS& VIEIRA-ABRAHÃO, 2006; SILVA, 2011). Ao
pensar o valor das crenças e a possibilidade de construir o
aprendizado trabalhando com o peso delas em sala de aula, o
pesquisador-professor reflete sua condição de mediador de conflitos
num ciclo intercambiável entre teoria e prática, pois sempre
reflete o conhecimento científico em sala de aula e de lá tira
bases para construir conhecimento.
As concepções
acima nos levam para a segunda discussão aqui a ser levantada.
Trata-se de como o realinhamento epistemológico da Linguística
Aplicada enquanto ciência social aplicada impacta a nossa discussão
de que os livros didáticos devem ser reformulados. O exemplo dado na
seção anterior, retirado de Moita Lopes (1996) demonstra que a
professora, ao inferiorizar os seus alunos e dizer que estaria
ensinando a eles a “língua do civilizado” não é
crítico-reflexiva, pois, nem ouve o seu aluno como produto cultural
de sua comunidade, dotado de crenças e atitudes, nem valoriza a
cultura que o formou, em nosso caso uma cultura plural, marcada
também pela africanidade, pela cultura indígena e pela cultura do
colonizador europeu. Observarmos, portanto, que uma visão
colonialista, não muito raro, adentra as relações em sala de aula
e sem intervenção e reflexão do professor de LE/PLE.
Pensamos que a
intervenção do professor crítico-reflexivo é importante, pois
permite aos sujeitos em sala de aula reconstruir-se constantemente.
Para tanto:
[...] Ao nível ideológico,
também as experiências de linguagem que essa prática específica
enseja a quem quer aprender uma língua estrangeira representam um
alto custo. Em termos de conteúdos socialmente relevantes ou mesmo
transformadores, ela se caracteriza como plenamente estéril. O
atendimento à forma tem causado uma simplificação da linguagem
que, por sua vez, reduz a verossimilhança, com as negociações,
conflitos e desencontros próprios da vida. Não há nas amostras de
linguagem o que objetar, questionar ou indagar mais a respeito. [...]
No entanto, a aparente distância do mundo é antes um efeito
composto da crença implícita instalada nas redes sociais dos
profissionaise dos autores de material de que ensinar línguas não é
compatível com o ensino de conteúdo e comportamento inteligentes, e
da insuficiente massa crítica entre os profissionais de ensino de
línguas (ALMEIDA FILHO, 2005: 19).
Assim, a reflexão
sobre o ensino/aprendizagem de PLE deve atravessar as discussões
sobre a identidade, sobre as diferenças entre o “eu” e o “outro”
em que se produza um “entrelugar” entre o aluno de PLE e a
cultura brasileira e aqueles inseridos.(BHABHA, 2007). Portanto, não
houve somente um realinhamento metodológico no ensino de línguas,
mas também na Linguística Aplicada enquanto social aplicada. Esse
realinhamento impactou o modo de pensar o processo de ensino e
aprendizagem na sociedade contemporânea.
O
papel político-acadêmico do Livro Didático no ensino de línguas
As discussões
sobre o papel do Livro Didático (doravante LD) são muitas, como
demonstram Fretag et alli (1989). Sendo assim, partiremos das
análises feitas sobre essa ferramenta escolar, já que na história
do Brasil, como propõe a autora, não há, de modo
institucionalizado, um histórico produzido dos documentos e
instituições a respeito.
O que é discutido
na área já passou por diversas etapas no Brasil e ao que parece
apenas se concentrou na qualidade do LD. Isso pode ser justificado
porque
existe uma dificuldade teórica e
técnica de definir a qualidade de um livro didático, o que
dificulta a elaboração de critérios de avaliação adequados,
aplicáveis simultaneamente aos assuntos tratados e ao nível de
conhecimento e capacidade de aprendizado da criança (FREIGAG et
alli, 1989: 41).
Por causa de tal
dificuldade, devemos salientar que o percurso de crítica ao conteúdo
do livro didático no Brasil foi conduzido por várias décadas sobre
os valores ideológicos nele impostos, valores esses que fomentam a
reprodução dos sistemas de dominação. É o que demonstra Faria
(1991), ao estudar como as crianças se apropriavam dos significados
da palavra “trabalho” e a sua relação com os livros didáticos.
A autora conclui demonstrando a forte influência do LD na
apropriação que a criança faz do “trabalho”.
Os LDs, portanto,
tem um papel político que não pode ser ignorado. Embora essa seja a
análise da maioria dos estudiosos, o enfoque ideológico que lhes é
dado é exagerado, pois se deve contar com o papel do professor
(FREITAG etalli., 1989). Diante disso, entendemos consoante
pensamento da autora que é preciso verificar no livro as
possibilidades para o professor, mas que este seja autônomo diante
do livro didático. Tal autonomia é importante sob o olhar das
teorias que defendem a postura do professor crítico-reflexivo, pois
a reflexão não deve ser feita pelo livro didático, mas pelos
professores e discentes durante o processo, numa escola democrática.
Porém, discordamos dos posicionamentos que defendem a não avaliação
do valor ideológico dos LDs, pois, mesmo que não queiramos que o
livro didático dite as ações do professor, sabemos de seu papel
enquanto produto de representação das relações sociais de
dominação (FARIA, 1991). Nesse sentido, pensamos que, mesmo que não
haja análise do valor ideológico do livro didático, esse se
apresenta constituído dentro da luta de classes, ou pelo menos
representando os valores sociais. Mais especificamente quanto a este
trabalho, os LDs de PLE são aqueles que podem permitir ao professor
mediar conflitos de ordem cultural, sendo esse o valor ideológico
posto em sua configuração.
Uma constatação
que, ao parecer boba para alguns, constitui-se de essencial para os
estudos linguísticos diz respeito ao ensino de gramática normativa
nos LDs. Ao trazer à tona a forma ao invés do conteúdo, a
gramática isoladamente ao invés do texto com a gramática
contextualizada, o LD reproduz a ideologia dominante que é
racionalista, positivista, objetivista, pois não permite ao
professor oportunidade para análise linguística,
semântico-discursiva etc. com os alunos. Verifica-se aí uma
profunda desconfiguração do LD quanto aos interesses atuais na
pesquisa e ensino, pois, ao serem “gramatiqueiros”,
o conteúdo e as atividades
propostas em tais materiais não previam o surgimento de uma atitude
pedagógica em sala de aula que enalteceria, por um lado, a
contribuição gerada pelo insumo de alunos, vistos como seres
únicos, sociais, informados, vividos, e por outro, o timo processual
de aprender de cada aluno (STERNFIELD, 1997: 52).
Feita a defesa a
respeito da importância em analisar o material ideológico e
discursivo do livro, partiremos para analisar mais detalhadamente
trabalhos realizados sobre os livros de PLE. Assim, um dos livros
escolhidos para nossa indagação acerca das atividades foi foco de
pesquisas realizadas na comunidade acadêmica (TOSATI, 2011; ALOMBA
RIBEIRO, 2012). Entre as análises textuais é possível compreender
que se trata de um trabalho voltado a uma perspectiva
pós-estruturalista, pois, como se demonstra abaixo:
Em relação à ocorrência de
gêneros, Bem-Vindo! destacou-se positivamente: o livro traz
crônica, cardápio, artigo, cartão-postal, carta, entre vários
outros. Em toda a obra são encontrados 45 gêneros distintos e 123 é
o total de ocorrências de categorias textuais. Aquela que aparece
com maior frequência é o texto informativo3: 20 ocorrências.
(TOSATI, 2011: 07).
.
Assim, faz-se
necessário perguntar: o que queremos que os livros façam refletir?
Qual conteúdo esperamos? A resposta será: nenhum em especial. O
nosso real interesse é que haja o real incentivo à reflexão no LD,
sendo que cabe a cada sujeito fazer suas próprias reflexões sobre a
discussão promovida. Não se trata, porém de encaminhar os sujeitos
do processo (professor e aluno) a um determinado lado na luta de
classes, mas que eles possam se reconhecer enquanto sujeitos que
pensam essa luta de classes e tomem suas próprias providências. Ao
observar o debate sobre a organização da cultura e o papel do
intelectual na cultura, por exemplo, (GRAMSCI, 1995) é ainda mais
perigoso desideologizar5
produtos já plenamente ideológicos da indústria cultural, como é
o caso do LD, ou fingir apenas que eles já não são produtos
ideológicos dessa indústria. Trata-se de uma discussão parecida
sobre a mídia, outro bem da indústria cultural, a qualtenta
desideologizar as discussões para poder reproduzir a ideologia
dominante e manter o status quo (CHAUÍ, 2006). O LD, pois,
tem um papel parecido com o da mídia ao se tornar simulacro e situar
discursivamente os sujeitos sem nos darmos conta de que ali estão
propostos discursos e relações de poder (FARIA, 1991).
Consideramos quanto
aos LDs de PLE que as implicações aos professores são muitas e
podem acender o debate sobre quais materiais é preciso escolher para
fornecer estrutura para o planejamento a ser desenvolvido. Não se
trata aqui de apenas defender um enfoque comunicativo e a análise
acurada das competências do aluno, mas de instrumentos que, no
processo, possam inserir professor e aluno no debate constante
próprio de uma sociedade democrática, mediando conflitos possíveis,
criando e recriando modus operandi no ensino e aprendizagem
pensados e repensados em conjunto.
Análise
de dados
A metodologia
utilizada neste trabalho foi realizada a partir de pesquisa
bibliográfica, qualitativa e exploratória, sendo que analisamos
dois (02) livros de PLE de diferentes épocas: período mais próximo
da Criação do MERCOSUL e um mais contemporâneo. A escolha deve-se
a ser o primeiro momento, logo após a criação do MERCOSUL, aquele
do começo do interesse pelo ensino/aprendizagem de PLE, e expansão
dos estudos sobre a abordagem comunicativa, além das pesquisas sobre
crenças e papel do professor de LE/PLE. Os livros escolhidos para
análise são: a) PONCE, Maria Harum Otuki; BURIM, Silvia R. B.
Andrade; FLORSSI, Susana. Bem-vindo! A língua portuguesa no
mundo da comunicação. São Paulo: Special Book services, 1999. b)
PONCE, Harumi de; BURIM, Silvia; FLORISSI, Susana. Panorama
Brasil: Ensino do Português do Mundo dos Negócios. São Paulo:
Galpão, 2006.
A análise será
feita a partir das seguintes questões: a) O que é um professor
reflexivo frente a um livro didático técnico-científico?; b) Quais
atividades devem apresentar um livro que incentive a atuação do
professor crítico-reflexivo?; c) Quais textos podem ser trabalhados
pelo professor de PLE para refletir o embate entre a cultura do
estudante a cultura brasileira, podendo o professor mediar o
conflito? d) Quais textos contidos nos livros didáticos do corpus
permitem ao professor refletir sobre os aspectos históricos do
Brasil?;e) Qual a autonomia do professor frente ao livro didático?
O primeiro livro
analisado, Bem-vindo, apresenta poucos traços que permitem
localizar atividades crítico-reflexivas. Definimos, a partir da
discussão estabelecida, tais atividades como debates acerca de
questões sociais, intervenção acerca de como os sujeitos veem o
ensino e aprendizagem e os sujeitos no processo etc.

A atividade acima
propõe um momento de reflexão muito peculiar a uma sala de aula em
que há sujeitos de diferentes culturas: a apresentação dos entes
familiares. Nela cada colega deverá levar foto (s) de sua família
e, ao mesmo tempo ter acesso à (s) foto (s) da família de seu
colega, tendo que escrever sobre a família dele. Tal proposta
permite a reflexão sobre o outro, sobre a cultura do outro, a
família do outro, ao mesmo tempo em que escrever permite aprimorar o
letramento desenvolvido. Essa atividade traz a conotação de
reflexão por permitir um trabalho mais subjetivo por parte dos
sujeitos.

Imagem 2-Bem-vindo!
Proposição de atividade coletiva/entrevista
Nessa atividade os
autores se utilizam do gênero “Entrevista”, mas demarcam no
discurso proposto na atividade uma caracterização supérflua em
relação à condição de sujeitos crítico-reflexivos no ensino e
aprendizagem: bens materiais. O gênero “entrevista” poderia ser
utilizado, pois poderia ser focalizada a estratégia da subjetividade
nas perguntas sobre a vida dos demais sujeitos em sala de aula.
Entretanto, ao começar com bens materiais destaca-se mais a
valorização dos aspetos econômicos do que aqueles subjetivos.
Ao nos referirmos
aos postulados teóricos, observamos que requisitar informações
apenas sobre bens materiais apenas pode não ser uma estratégia que
incentive reflexão dos sujeitos a respeito de sua condição e a dos
outros sujeitos, mas apenas a supervalorização econômica. Ou seja,
requisitar informações de bens dos alunos em sala de aula nada
produz de criticidade, mas apenas de interação. Nesse caso,
procuramos não confundir terminologicamente interação com
reflexão. A interação pode ser obtida através de quaisquer
atividades em grupos e pares. A reflexão é produto da
democratização de temas pertinentes à interdisciplinaridade que
durante muito tempo não eram socializados em espaços escolares.

Imagem
3-Bem-vindo! Questionário do autor do livro para discente de
PLE
O excerto acima traz
perguntas de cunho pessoal e parcial para discente. Desse modo, não
há qualquer proposta de intervenção quanto à atividade coletiva.
O que notamos nele de importante é a caracterização de arguir
sobre a vida cotidiana do discente, sendo essa uma atividade de
caráter subjetivo. Essa característica, conforme propusemos no
referencial teórico, define o livro didático enquanto produto da
indústria cultural e, sendo assim, como objeto portável pelo
discente que, em horas vagas, pode ser folheado. Nesse aspecto, os
LDs são feitos não para apenas serem utilizados em sala de aula,
mas para serem utilizados em espaços extraescolares.

Imagem 4-Bem-vindo!
Proposição de atividade em forma de entrevista
O gênero utilizado
na atividade anterior, a entrevista, é um dos que mais permitem a
interação entre os sujeitos. Porém, acreditamos como a maioria dos
autores, que a crítica e reflexão só podem vir amparadas pelo
debate amplo, o que necessita de uma diversidade de temas que
impactam direto ou indiretamente o espaço de sala de aula. Nas
perguntas introduzidas acima, não há esse caráter, sendo uma
atividade de caráter unicamente interacionista.
Sobre o livro
Bem-vindo! é possível concluir que ele não contribui para
os espaços de criticidade e reflexão a serem desenvolvidos em sala
de aula, mas somente para dar lugar à interação e autorregulação
da leitura midiática, social do outro no processo.Trata-se, como
pudemos perceber, de uma visão estruturalista da linguagem e de sua
abordagem e de um posicionamento tecnicista e produtivista da sala de
aula amparados em aspectos que concebem apenas atividades
mecanicistas de ensino e aprendizagem.
Seguiremos nossa
análise para o livro Panorama Brasil, o qual definido em um
contexto particular de aplicação no mundo dos negócios. Como
buscaremos observar, é possível que, por fazer parte de um contexto
mais instrumental, sua leitura facilite o andamento de atividades
reflexivas e críticas.

Imagem 8- Panorama
Brasil. Atividade proposta
Essa atividade pode
ser enquadrada em atividades de reflexão uma vez que parte de um
texto dado, mas não se prende somente a ele, englobando aspectos da
vida social, como é o caso de problemas no trabalho,
profissionalização etc. Isso enfoca não somente aspectos da vida
social, mas os princípios da interdisciplinaridade, o que contribui
para formar cidadãos crítico-reflexivos.
Para concluir, é
preciso dizer que os espaços para atividades de debate e discussão
implementados no LD não são suficientes para promover e ainda que
nossa análise não seja quantitativa, são poucos as discussões
promovidas que de fato cumprem um papel de direcionar à
interdisciplinaridade, criticidade e reflexão dos sujeitos em sala
de aula.
Algumas
considerações
A partir da análise
de dados é possível localizar algumas respostas para nossa
problemática, hipótese e objetivos definidos a priori.
Ao responder
à problemática inicial, devemos assinalar que as condições de
produção dos LDs não incentivam uma postura crítico-reflexiva
mais ampla por parte do professor em sala de aula, visto que as
atividades são rasas na reflexão, sendo que partem mais para
momentos de interação do que criticidade e reflexão. Assim, não
confirmamos a hipótese inicial de que tais LDs contribuíam por
promover o debate sobre a cultura do aprendente e da língua-alvo,
fomentando problemas sociais. Esses problemas sociais e a reflexão
foram usados de modo suplementar, sem qualquer enfoque direto na
complexidade do ensino e aprendizagem de línguas.
Algumas
considerações pertinentes precisam ser feitas individualmente. No
primeiro livro, Bem-vindo, há total ausência de atividades
reflexivas mais amplas. No segundo,Panorama Brasil, ao
contrário, ainda há trechos em que se parte de um texto para pensar
a questão social e o impacto resultante, mas as atividades não
produzem um debate mais aprofundado sobre os temas a que se propõem,
como é o caso a análise da Imagem 9.Portanto, consideramos que
falta um longo caminho para adequar o material didático à realidade
da discussão no terreno educacional e reformulação das políticas
de editoração a partir de uma postura que encaminhe o material
didático como básico para a sala de aula, mas que oferte uma
diversidade de temas, em que se possa localizar a
interdisciplinaridade e o diálogo com temas de impacto social etc.
Grosso modo, é
preciso salientar que na área de Português como Língua Estrangeira
a adequação dos materiais pode durar ainda mais tempo. Essa
afirmação se dá pela escassez de materiais para o ensino de PLE no
mercado editorial, ainda que o interesse pelo aprendizado/aquisição
de PLE tenha crescido, conforme demonstram os encontros
técnico-científicos e associações, como a Sociedade Internacional
de Português como Língua Estrangeira (SIPLE), Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa (CPLP), Instituto Internacional de Língua
Portuguesa (IILP) etc. Esperamos que o presente trabalho tenha ecoado
bons frutos nessa direção, visto que com o interesse recorrente é
preciso que haja políticas públicas consistentes para o
planejamento linguístico e reafirmação das organizações e
associações de pesquisadores.
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THE CRITICAL AND REFLECTIVE
TEACHER AND TEXTBOOK IN PFL TEACHING
ABSTRACT
This paper aims at discussing the
importance of textbook in Portuguese as a Foreign Language (hereafter
PFL) teaching in accordance with the epistemological realignment
present in language teaching which follows the order of the
critical-reflective teaching / learning. Thus, we try to discuss on
how the textbooks encourage teachers in their professional posture
while critical and reflective. For this, we use as corpora the pages
of two books collected and remit to seek the theoretical analysis
used, which goes from theories of critical and reflective teacher to
Applied Linguistics.
Keywords: Textbook; PLE;
critical and reflective professionals.
1Licenciado
em Letras Inglês Português pela Universidade Estadual de Santa
Cruz, Ilhéus-BA. gabrielnasciment.eagle@hotmail.com .
2Professora
titular do Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual
de Santa Cruz, Ilhéus-BA. Doutora e Pós-doutora em Linguística
Aplicada pela Universidade de Alcalá de Henares-Espanha.
dajudaalomba@hotmail.com .
3
Saber fazer em Francês. Característica dada ao sujeito de aprender
a se comportar em qualquer situação. No caso da formação de
professores condiz com o aspecto de que o professor seja formado
para atuar em diversas atuações.
5
Entendemos por desideologizar a negação a existência da ideologia
enquanto unidade de produção discursiva e histórica.