Artigo originalmente publicado na Revista SIPLE (B5), no link http://www.siple.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=292:o-texto-no-portugues-como-lingua-estrangeira-ple-entre-blogs-e-redes-sociais&catid=69:edicao-6&Itemid=112
Gabriel Nascimento
dos Santos
Universidade de
Brasília
Maria D’Ajuda
Alomba Ribeiro
Universidade
Estadual de Santa Cruz
RESUMO
Este estudo tem como objetivo
discutir a importância das aulas de produção textual utilizando o
meio virtual no Ensino de Português como Língua Estrangeira (PLE),
a partir das reflexões sobre o uso das (novas) tecnologias
existentes. Assim, pretendeu-se investigar em que medida o uso das
ferramentas virtuais fornecem propriedades úteis para o ensino de
produção textual, a partir da colaboração e da (re) significação
do lócus de produção textual e de aprendizado. Nesse sentido, nos
baseamos na Linguística Aplicada e na Linguística Textual
(MARCUSCHI,2004, 2005) e na Linguística Aplicada (CORACINI, 1995;
MORITA, 1992; ALMEIDA FILHO, 200, MOITA LOPES,1996), buscando
compreender a entrada do texto na sala de aula de PLE a partir dos
diversos gêneros textuais, e do poder da mídia virtual para
empreender um aprendizado colaborativo e eficaz. Desse modo, ao
escolher trabalhar com blogs e redes sociais, investigamos desde a
criação do texto colaborativo no blog até a reprodução dos links
nas redes sociais e pudemos detectar fatores expressivos que
contribuem para a entrada do texto digital na sala de aula de PLE.
Palavras-chave:
Linguística Aplicada;
Linguística textual; PLE.
ABSTRACT
This
study aims at discussing the importance of textual production lessons
using hypertext and Internet to learn Portuguese as a Foreign
Language (hence PFL), reflecting upon (new) technologies. So, it
aimed at investigating to what extent the use of tools may offer
useful properties for the learning of textual production,
collaboration and redefinition of locus
of
textual learning. Accordingly, we rely upon the Textual Linguistics
and Applied Linguistics (MARCUSCHI,2004, 2005, CORACINI, 1995,
MORITA, 1992, ALMEIDA FILHO, 200, MOITA LOPES,1996), to realize the
introducing textual aspects in PFL classroom, through several textual
genre and virtual media which may help in a collaborative and
effective learning. By this way, when it seeks to work with blogs and
social networking, we want to investigate since the edition of
collaborative text until the use of links of those texts in the
social networking and how we could detect expressive factors which
may contribute to introduce the digital text in PFL classroom.
Keywords:
Textual
Linguistics; Applied Linguistics; PFL.
Introdução
A Linguística
Aplicada é uma área interdisciplinar nascida da necessidade de
aplicação dos conceitos produzidos em Linguística Teórica (MOITA
LOPES, 2006), mas que, ao passar dos tempos, foi ressignificada a
partir da prática e da materialidade sociodiscursiva das coisas.
Assim, o que era apenas um enfoque dado à aplicação dos
pressupostos linguísticos, passou a ser um campo interdisciplinar,
ou, ao dizer de Moita Lopes (2006) “indisciplinar”, ou ainda como
define “transgressivo” por entender que se faz necessário criar
uma barreira entre teoria e prática, em que ambas se reconstruam
mutuamente e que as teorias possam surgir da prática. Diante disso,
nem se fala e nem se entende, em nossos dias, na Linguística
Aplicada como um ramo da Linguística, mas uma área das Ciências
Sociais aplicadas que busca entender a Linguagem a partir de suas
práticas e as teorias a partir da realização da materialidade
histórica.
Ao tratar da
materialidade histórica, entendemos a linguagem como processo e não
como resultado, pois o discurso não é somente pelo qual os
interesses se materializam, mas os interesses que se materializam,
sendo o discurso sedimentado na arena social (BAKHTIN, 1997), marcado
pela ideologia dominante difundida pelos Aparelhos Ideológicos de
Estado (ALTHUSSER, 1980), e por uma ordem discursiva selecionada e
editada por determinados grupos e poderes (FOUCAULT, 1996).
Desse modo, é com
a força motora que move os estudos em Linguística Aplicada que
buscamos, neste trabalho, entender como se dá a entrada do texto em
sala de aula de Português como Língua Estrangeira (doravante PLE)
ao utilizar as ferramentas tecnológicas existentes na Internet, como
blogs
e
redes
sociais, a
partir de textos selecionados de alunos de PLE, produzidos e
publicados em meio digital.
Tentaremos
estabelecer uma agenda de práxis
para
as aulas de leitura em PLE, com ferramentas tecnológicas da
Internet, baseando-se nas pesquisas divulgadas em meio acadêmico.
Assim, primeiro abordaremos algumas mudanças na cena da Linguística
Aplicada brasileira e seus enfoques na sala de aula de PLE como campo
interdisciplinar e transgressivo e, logo após, tentaremos esboçar
aspectos da entrada do texto em sala de aula, da abordagem de gêneros
textuais etc. Tentaremos também provocar a reflexão sobre a relação
entre a leitura em meio digital e a descoberta de si e do outro na
interculturalidade em meio digital, sob a ótica da Internet
ser
um espaço de multiculturalismo e interculturalidade. Finalmente,
analisaremos textos produzidos e publicados por dois alunos de PLE em
redes sociais e blogs (a saber Facebook
e
Blogger),
produzidos e coletados em pesquisas de iniciação científica
realizadas no projeto Português como Língua Estramgeira da
Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, Bahia. Dessa
maneira, a partir dos textos analisados, apontaremos as
características que permitem inserção do texto em sala de aula de
PLE.
Linguística
Aplicada e a pós-modernidade: virada cultural na prática do
professor de PLE
Ao (re) visitar a
obra de diversos pesquisadores brasileiros, desde as décadas de
70-80, podemos destacar a mudança e a contribuição que esse campo,
afinado com as Ciências Sociais Aplicadas, vem promovendo na cena
político-acadêmica brasileira.1
No quadro
contemporâneo da Linguística Aplicada brasileira, é possível
destacar o esforço de pesquisadores brasileiros em entender o espaço
da sala de aula e os processos ali desencadeados e desenvolvidos, sob
a luz de teorias que não somente aquelas inerentes à atividade
linguística em si, mas a processos que a circundam. É o caso, por
exemplo, da análise de construção do aprendizado na sala de aula
através da colaboração (SILVA, 2011 etc.), da investigação sobre
o uso de tecnologias no ensino de PLE (MORITA, 1992; SANTOS &
ALOMBA, 2011), do discurso sobre a homofobia em sala de aula de LE
(MOITA LOPES & FABRÍCIO, 2008), entre outros tópicos e temas de
investigação desenvolvidos em programas de pós-graduação no
Brasil em nossos dias.
No entanto, uma
discussão empreendida sobre a história da Linguística Aplicada e o
seu atual momento nos permite problematizar a importância em (re)
pensar a ordem social em que vivemos e a crise da razão e da
representação, em nosso tempo recorrente e fundamental, que tem
suas grandes contribuições em Marx, Nietzsche, Freud e seus
seguidores, cada corrente com seus objetos teóricos norteadores.
Assim, torna-se imprescindível entender que, ao contrário da
ciência moderna, aquela de intelectuais orgânicos, da objetividade
e racionalidade técnica, centrada na quantificação, na apenas
observação da materialidade histórica, uma ciência da
pós-modernidade2
(ou pós-colonial) centra-se, cada vez mais, nos aspectos
qualitativos, sob os quais as ciências devem ser entendidas como
transformadoras da realidade social (FABRÍCIO, 2006).
Toda essa discussão
reforça os postulados dos Estudos Culturais e reafirma a ideia de
que é preciso buscar conhecimentos em outras áreas do conhecimento
para entender, em muitos aspectos, as problemáticas que cercam a
linguagem (MOITA LOPES, 2008).
De outro modo, todos
os aspectos que a Linguística Aplicada (doravante LA) brasileira vem
promovendo, nos últimos anos, possibilitam ao professor mais
possibilidades e perspectivas. Um exemplo é quantidade de pesquisas
produzidas sobre a sala de aula, dentro dela, a chamada
pesquisa-ação,
em
que o próprio pesquisador é professor de LE e utiliza sua sala de
aula como lócus
de
investigação e resposta às indagações.
A pesquisa sobre
crenças no ensino de LE tem produzido frutos importantes na pesquisa
brasileira em LA (BARCELOS & ABRAHÃO, 2006; SCHEIFER,
2008, 2011, SILVA, 2011a et
alli.),
permitindo entender como pensam alunos, professores e outros atores
no ensino de LE no espaço escolar e fora dele.
É
possível verificar, no que diz respeito ao ensino/aprendizado de
Português como Língua Estrangeira, como interesse pelo PLE tem
crescido no Brasil ao observar a quantidade de projetos e centros de
ensino de Português para estrangeiros em universidades brasileiras.
Silva (2011b) mapeou alguns desses projetos e constatou a diversidade
de intenção, mas a precariedade de funcionamento de alguns desses
projetos. Inferimos aqui dois marcos para o crescimento do interesse
pelo aprendizado de PLE: (a) a criação do Mercado Comum do Cone Sul
(MERCOSUL), segundo destacam Alomba Ribeiro (2005) e Almeida Filho
(1992), tendo como caracterização a fundação de escolas para o
ensino de PLE em países do bloco; (b) a crise no sistema financeiro
internacional, sendo chamada de segunda grande crise do capitalismo.
Autores como Sader & García (2010), Pochman (2010) demonstram
que ao contrário dos demais países envolvidos no Neoliberalismo
iniciado na década de 70 com cortes de gastos públicos, medidas de
austeridade fiscal, que o Brasil tem conseguido, nos últimos dez
anos, se manter de pé, criando vagas reais de emprego formal, além
do investimento em programas sociais de erradicação da pobreza, e
renda, além do investimento no mercado interno, levando a economia
brasileira à projeção futura e próxima de sexta maior economia do
mundo. Esses dados revelam um destaque do Brasil no cenário
internacional. Tal destaque, segundo nossa preposição, leva à
Europa e Estados Unidos a exportar mão de obra. Esses profissionais,
para se adequar ao idioma, têm se interessado pelo Português. O
resultado disso é o aumento de conferências sobre o futuro do
Português e os centros de Português instalados em países não
lusófonos e hispânicos, como é o caso dos Estados Unidos.
Mapeando
esse arcabouço desenvolvido ao longo desta seção, temos como
objetivo discutir a importância das aulas de leitura com ferramentas
virtuais no ensino de Português como Língua Estrangeira a partir de
blogs
e
redes
sociais. Antes,
porém, revisitaremos a literatura especializada sobre leitura e
gênero, para, logo após, tentar entender o impacto das aulas de
leitura no ensino de PLE.
O
texto no ensino de PLE
A abordagem a ser
seguida neste trabalho parte de um conjunto de fundamentos que vão
desde a inserção das práticas de linguagem em uso na sala de aula3
até a defesa do texto como possibilidade de análise dessa linguagem
em uso (KLEIMAN, 2001; CORACINI, 1995; MARCUSCHI, 2004).
Ao falar sobre a
inserção das práticas de linguagem em uso na sala de aula,
entendemos a escola brasileira como aquela que reproduz, em diversos
aspectos, um comportamento estruturalista sobre a linguagem (BAGNO,
2008; MOITA LOPES, 1996), o qual isola os elementos linguísticos
para serem analisados. Por isso, tanto em Língua Materna (doravante
LM) quanto em LE é ainda comum ver métodos gramatiqueiros, em que
são feitas análises sintáticas, morfológicas sem nenhuma relação
com exemplos reais. Em LE é mais do que comum do que se imagina
(COELHO, 2005), sendo que as aulas chegam até a frustrar alguns
alunos, conforme demonstra um trecho retirado da dissertação de
mestrado de Coelho (2005):
[...] até me preocupo em levar
alguns jogos... a professora Carol, trabalhou conosco... me emprestou
bastante jogos, então levei...enquanto eles estão fazendo alguma
coisa assim lúdica... vocabulário eles gostam muito... eles
memorizam... agora quando eu começo a ensinar a gramática... "vamos
ensinar o uso do 'do' e do 'does' " ..."ah, Vilma! Isso
não!"... então quando é coisa que eles gostam que eles
memorizem fácil, que tá no nível deles, eles curtem, mas quando é
uma coisa mais difícil, uma gramática, uma coisa assim, eles já
falam, "ah isso é difícil! isso eu não vou aprender!”.
(COELHO, 2005, p. 65)4
Para tanto,
entendemos que a prática do professor precisa ser renovada no que
condiz com as pesquisas realizadas em nossas universidades, em
conformidade com o atual estágio de desenvolvimento humano,
valorizando as competências linguísticas. Assim, o texto se torna
um excelente dispositivo para perceber a funcionalidade linguística.
Diante da linguagem escrita, diferente do preconceito do senso comum,
podemos verificar a diferença nos níveis de variação linguística
exigida pelo estrato social, o registro em função do contexto tendo
em mente o interlocutor para qual o texto se destina, além dos
discursos enunciados, das formações discursivas, dos valores
culturais implícitos no texto, bem como a composição da estrutura
sintática, semântica, morfológica etc. A linguagem escrita, como a
oral tem seus níveis de variabilidade linguística de acordo com
fatores linguísticos e extralinguísticos, segundo também advoga
Marcuschi (2008, p. 51), aludindo a uma apresentação seguinte:
Como se verá agora, vamos
analisar o texto como uma realidade e não como uma virtualidade.
Pois o texto não é apenas um sistema formal e sim uma realização
linguística a que chamamos de evento comunicativo e que preenche
condições não meramente formais.
E completa:
Um dos equívocos mais comuns na
LT5
dos anos 1970 foi precisamente ter identificado o texto como uma
frase ampliada (daí a noção de LT como uma fase do transfrástico),
quando, na realidade, o texto é uma unidade teoricamente nova e não
apenas uma frase ampliada. Também não é uma simples sucessão de
enunciados interligados. Já não se postula mais a ideia e que o
texto seria “uma sucessão coerente e coesa de enunciados” (Op.
Cit., p. 55).
Por isso,
entendemos que, para que o professor entenda a necessidade de
trabalhar produção textual na sala de Português como Língua
Estrangeira ou de outra dada Língua Estrangeira, sendo esse nosso
foco, é preciso que ele entenda que o texto escrito está sujeito à
variabilidade, não é homogêneo e estático, e se enquadra nas
configurações, historicidade e funcionamento dos gêneros textuais,
uma vez que Marcuschi (2004, 2005, 2008) define gênero como entidade
sócio-histórica envolta de determinados interesses, com um caráter
definido por fatores linguísticos e extralinguísticos e com
determinada forma articulada para sua existência ter sentido
enquanto texto. Sob essa categorização, todos os textos, sejam
escritos ou orais, impressos ou online,
se
apresentam na forma de gêneros.
A diversidade
textual pode, nesse sentido, ser alcançada em sala de aula de PLE ao
trabalhar a quantidade de gêneros existentes. Antunes (2009, 2010)
defende o uso dessa variedade de gêneros na aula de LM e em Muito
Além da Gramática (2007)
a autora buscou alcançar o ensino de LE ao advogar para uma postura
menos conservadora de professores puristas e gramatiqueiros, os quais
só se apropriam de uma única forma de gramática, a normativa.
Essa discussão é
relevante, pois, ao ensinar língua a um estrangeiro utilizando texto
como foco, é preciso saber utilizar a gramática no texto, visando
num percurso que vá do texto ao discurso. Na seção seguinte,
pretendemos discutir o texto no âmbito virtual.
O texto no âmbito
virtual: múltiplas possibilidades para a aula de PLE
Tal como os textos
impressos, os textos virtuais também se organizam em gêneros.
Marcuschi (2005) reflete que eles se materializam em suportes, tal
como os suportes dos textos impressos. Discute ainda que alguns
gêneros digitais têm fundamentos a partir de gêneros já
existentes, como é o caso do blog,
ao
funcionar como Diário
eletrônico ou
ainda o E-mail
como
uma carta. Assim:
Já nos acostumamos a expressões
como “e-mail”, “bate-papo virtual” (chat), “aula-chat”,
“listas de discussão”, “blog” e outras expressões da
denominada “e-comunicação”. Qual a originalidade desses gêneros
em relação ao que existe? De onde vem o fascínio que exercem? Qual
a função de um bate-papo pelo computador, por exemplo? Passar o
tempo, propiciar divertimento, veicular informação, permitir
participações interativas, criar novas amizades? Pode-se dizer que
parte do sucesso da nova tecnologia deve-se ao fato de reunir num só
meio várias formas de expressão, tais como, texto, som e imagem, o
que lhe dá maleabilidade para a incorporação simultânea de
múltiplas semioses, interferindo na natureza dos recursos
linguísticos utilizados. (MARCUSCHI, 2005, p. 13).
Diante dessa
configuração, é preciso entender os gêneros de acordo com seu
formato e suas peculiaridades linguísticas e discursivas e a sua
realização num dado suporte. No caso do suporte virtual, as redes
sociais e websites
oferecem
espaço para publicação de material informativo e de divulgação,
dentre os quais pretendemos nos centrar diante do gênero mural
do
Facebook e do blog
enquanto
gênero e suporte.
O blog
enquanto
gênero configura-se, segundo postula Marcuschi (2005) como uma
espécie de diário. Cabe notar, porém, desde a publicação citada
do emérito professor Luís Antônio Marcuschi, como notam Santos &
Alomba Ribeiro (2011), existem algumas mudanças na configuração do
gênero que se materializa no suporte virtual blog,
sendo
atualmente mais próximo de informativo do que Diário
pessoal.
Seguindo as
orientações dispostas em Marcuschi (Op. Cit.), nossas observações
in
loco nas
redes sociais (SANTOS & ALOMBA, 2011a, 2011b, 2012a, 2012b,
2012c, 2012d, 2012e), em resultados publicados de pesquisas de
iniciação científica, demonstram que elas têm se tornado
suporte para a realização do Diário
Pessoal, como
é o caso do gênero textual Mural
do
Facebook.
O Mural6
se
configura como espaço de enunciação de (hiper) textos, podendo ser
eles vídeos, músicas, mensagens de atualização pessoal,
informações, explicações, protestos etc. Na seção a seguir
buscaremos analisar alguns desses textos, em blogs
e
Murais
e
buscar sugerir uma agenda para o professor de PLE a partir da
análise.
Alguns passos em
direção a uma aula de PLE com textos virtuais
Nossa escolha por
textos virtuais deve-se, do ponto de vista prático, às inúmeras
possibilidades que o âmbito virtual permite a uma aula de PLE.
Dessas possibilidades, trabalhadas por Santos & Alomba (2012e),
ao utilizar o blog
ou
a rede
social como
espaço de exercício para leitura e produção textual, por exemplo,
o aluno pode postar textos interativos e ler textos interativos, em
diversas modalidades de linguagem e registros.
Os textos a serem
analisados foram produzidos por dois alunos norte-americanos, em
épocas diferentes, no projeto de Ensino de Português como Língua
Estrangeira da Universidade Estadual de Santa Cruz, com a integração
entre pesquisa e extensão, unindo a investigação conduzida pela
orientação nos projetos de iniciação científica à oferta do
curso. Assim, vamos começar analisando o seguinte texto, do
estudante A:
[...]
E aí
moral? Olha esse gringo!
O dia
chegou!
O dia da
minha despedida.
Tenha
viajado muito, mas esta parte - a despedida - nunca é fácil.
Queridos alunos, amigos e pessoas que ainda faltou tempo para
conhecer melhor: estas palavras são para vocês.
Comecei
esta viagem sem expectativas e volto para a minha terra com essa
mesma percepção, mas eu não volto sendo a mesma pessoa de quando
cheguei. Agora tenho uma perspectiva baianizada. Não estou
triste por ir embora; sempre sabia que este dia chegaria, mas não é
por isso que não me sinto triste. Como que eu posso sentir tristeza
dos últimos nove meses? Foi uma maravilha morar no Pontal! As vezes
pensei que eu estava num sonho, morando em frente ao mar, com sua
brisa refrescante passando por minha varanda. E nada se compara ao
ver o sol amanhecer sobre o mar com os amigos. Também passei
por tempos ruins tanto quanto bons aqui, mas ainda assim, não posso
reclamar - só celebrar todos os momentos que a vida me da.7
Mesmo com problemas
de acentuação, pode-se constatar um nível de fluência no
estudante, o que poderia conduzir a discussões sobre o texto
produzido no blog
e
seus níves de formalidade. Assim, após o aluno produzir o texto, em
sala de aula, lugar de orientação metodológica, o professor de PLE
tem a oportunidade de discutir e incentivar (re) escritura do texto,
a partir de diferentes gêneros (e.g. Artigo de opinião pessoal,
reportagem, poema etc.). Para perceber o nível de monitoramento
linguístico desse aluno, vamos ver agora uma postagem em forma de
Mural
no
Facebook e um comentário, sendo esses dois gêneros a possibilidade
de avaliar se o texto do blog
foi
amplamente revisado por um nativo ou não:

magem 1- Mural
do
Facebook do Estudante A

Imagem 2- Comentário
Estudante A no Facebook
As duas imagens
passadas demonstram que, muito embora o registro tenha mudado,
conforme pode-se notar (como o uso do “vc”, a exclamação), o
aluno demonstra o mesmo nível de fluência nesses gêneros. Na
entrevista feita durante as aulas ofertadas, ele disse ser membro de
uma família peruana (traço encontrado na Imagem 2, acima). A
ambientação bilíngue, entre o espanhol e o inglês, permitiu ao
aluno mais facilidade no aprendizado/aquisição de Português.
Trata-se de um aluno advindo do programa de intercâmbio
acadêmico/profissional Capes/Fulbright, em que professores
brasileiros são enviados aos Estados Unidos como assistentes de
ensino de PLE e professores norte-americanos são enviados para cá
na condição de assistentes do ensino de língua inglesa, em
universidades parceiras participantes.
Esses textos podem
usados para uma aula em que sejam explicados: (a) A diferença entre
o suporte/gênero Blog
como
espaço para escolhas mais formais de textos quando informativos e/ou
destinados para públicos em que a linguagem seja mais monitorada em
sua exigência, como é o âmbito acadêmico. No caso do estudante A,
trata-se de uma espécie de diário
em
seu
blog
com
uma modalidade não tão monitorada linguísticamente, mas sem
inadequações ortográfcas; (b) O Mural
do
Facebook para uma linguagem mais informal ou de projeção de
informações, vídeos, músicas, permitindo uma variedade de
propriedades, mas preferindo-se, cada vez mais, segundo nossa
observação e notas de campo, o registro informal e não-monitorado
etc. Vejamos agora outro exemplo, de uma estudante menos fluente, sem
histórico de língua neolatina na família (como é o caso do
Estudante A): a Estudante B:
Estou voltando ao meu blog,
escrevendo de um país diferente, uma cidade nova, uma mentalidade
aberta. As vezes
escrever aqui no blog parece uma perdida de tempo – quem vai ler
isso? Provavelmente poucas pessoas (o que significa que posso
escrever muitas besteiras!) mas não vou tentar justificar meu desejo
de escrever.
Cidade actual? Nashville,
Tennessee: casa de musica country e bluegrass, onde as botas de
caubói nunca morreram, a ioga é quente, o sol brilha em janeiro e a
segregação racial é uma realidade social.Bem-vindo ao coração
dos estados unidos. As pessoas gostam de conversar sobre a
tecnologia- "olha o meu produto novinho
de Apple "- e
dirigem carros que são bem mais grandes do que o necessário. Eles
curtem sentar nos cafés -"Vou querer uma cafe com leite de
soja, eu sei que causa o câncer mais eu simplesmente adoro o sabor
de aspartame"- e usar os seus notebooks (o que eles estão
fazendo de qualquer jeito)? Provavelmente procurando um emprego, a
coisa que eu devo estar fazendo em vez de escrever aqui... Os ricos
gastam centos de
dólares na comida de
Whole Foods, enquanto os
menos fortunados levam
a família a McDonald's para o almoço, se poderíamos chamar aquela
"comida" de "almoço". Tem ruas designados
para as bicicletas em cada lugar na cidade- mas por
quê a maioria das
pessoas que andam em bicicleta ao trabalho/escola tem vinte pouco
anos e são bonitos e saudáveis? Imagina uma cidade onde é normal
andar em bicicleta e os ciclistas são respeitados na estrada. Aquela
cidade não é o Nashville. Felizmente, as pessoas gostam de fazer
exercícios e passam tempo nas
parques da cidade, e
tem uma mania para a comida saudável- que pena que ser saudável nos
EUA significa gastar duas vezes mas
na comida.
Os trechos em
negrito no texto da Estudante B, publicado no blog do projeto,
construído para as aulas de PLE, demonstram que a estudante não é
tão fluente no texto escrito quanto o Estudante A. Essas
características linguísticas, gramaticais e sociolinguísticas, no
que diz respeito ao registro a ser seguido, foi trabalhada em sala de
aula e pode gerar discussões importantes, em que se avalie as
lacunas deixadas no texto do aluno, como concordância,
idiomaticidade (no caso de “menos fortunados” não tão comum e
em “novinho de Apple”), nos pares “mas/mais”, na acentuação
etc. Vejamos agora o Mural
dela
na rede social Facebook:

Imagem 2- Postagens
da Estudante B no Facebook- exercícios de tradução
Verifica-se, assim,
que a estudante B, na coleta de dados, ainda não tinha adquirido
traços de fluência do Português Brasileiro, ao contrário do
Estudante A. Esses traços permitem um trabalho aprofundado do
professor de PLE. Assim, sugere-se, a partir das especificidades dos
gêneros digitais, a partir de Santos & Alomba Ribeiro (2012e,
p.265):
- O Bate-papo- este recurso permite que o aluno desenvolva a proficiência em PLE, assim como a prática ortográfica.
- O Mural e o Tweet- na rede social Facebook e no microblog Twitter é possível ao usuário postar uma pequena mensagem sobre sua vida, atualizando seu perfil. No Facebook ela é chamada de Mural e, no Twitter de Tweet. É possível ainda postar comentários. Essa prática pode ser incentivada no aluno de PLE, possibilitando analisar sua evolução nos diversos usos que ele fará. Dessa maneira, o professor constrói objeto para análise em suas aulas, e permite ao aluno se expressar, estabelecendo a dialética entre sua cultura e cultura do Outro.
- O Blog- em um nível um pouco mais formal, para que o aluno melhore o nível de sua escrita a fim de acompanhar a linguagem acadêmica e/ou terminológica o blog pode ser uma alternativa. Nesse suporte o professor pode propor que o aluno faça uma redação científica em um determinado espaço de tempo, expondo aspectos de sua área de estudo. O professor de PLE pode perceber, por meio dessa estratégia, se o aluno evolui no uso da linguagem técnica da área. Deve-se, por meio dessa técnica, exercitar a leitura de textos teóricos da área do aluno, para que seja desenvolvida a competência de aquisição da linguagem técnica. A leitura de revistas especializadas deve ser feita com frequência, pois, dessa forma, o aluno irá adquirir léxico e propriedades estruturais exclusivas da linha de pesquisa e campo do saber que estuda.
Algumas
considerações
Assim, compreendemos
que a entrada do texto em sala de aula, a partir das perspectivas do
gênero textual e sua historicidade e discursividade, além dos
aspectos linguísticos e de seu formato (bate-papo, blog,
Mural
etc.),
pode se dar por uma via menos conservadora e tradicional, somente do
texto impresso, mas que as atividades possam fazer parte da vida
corrente do estudante, sendo que o espaço da sala de aula
corresponda ao espaço para orientação metodológica e que a
construção do conhecimento não se prenda somente à sala de aula
como espaço físico. É nessa oportunidade que a Internet ganha
força como instrumento de interação, como seus suportes para
gêneros textuais e digitais, como é o caso do blog
e
do Mural.
As
especificidades podem ser atendidas e desenvolvidas a partir da
discussão da sala e aula, conforme os exemplos dados.
A partir do roteiro
seguido por este texto, partimos para novos caminhos na dialética do
ensino e PLE e as novas tecnologias, no sentido de pesquisa e
desenvolvimento de material didático com suporte tecnológico. Esse
suporte tecnológico, para além de um inimigo, pode ser um poderoso
aliado, desde que ligado à perspectiva de letramento, ordenamento e
planejamento metodológico.
Na agenda defendida
neste trabalho, foi possível perceber, a partir da exposição do
material da coleta de dados divulgado, que as ferramentas virtuais
têm usos diversos e híbridos, sendo este trabalho uma porta para
outros múltiplos olhares sobre contexto virtual em que os gêneros
aqui utilizados estão inseridos.
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1
Ao utilizarmos o termo
“político-acadêmico”, nos referimos às associações de
pesquisadores que, hoje no Brasil, unida e com manifestações de
classe, emitem considerações acerca de fenômenos da linguagem que
alcançam a população brasileira, como caso polêmico do livro
didático. Rajagopalan (2005, 2006) segue a mesma linha ao analisar
que o linguista, para provocar modificações na sociedade, precisa
ser político.
2
É importante observar que o termo pós-modernidade é criticado por
estudiosos no que concerne à realidade brasileira, pois aqui, ao
que cabe à crítica cultural e às ciências sociais de um modo
geral, não vivemos sequer a modernidade, restando-nos o final de um
colonialismo escravizador, restando-nos ser críticos inclusive em
relação à ideia de pós-modernidade.
3
Seja através das teorias de Vygotsky ou Bakhtin, acreditamos, como
Bakhtin (1997), que as práticas linguísticas devem ser analisadas
na interação e não em atividades isoladas. Propomos, portanto, a
sala de aula, redes sociais e congêneres como espaços de interação
e loci de
(auto) reflexão.
4
O trecho foi retirado do Banco de Teses da UFMG e está disponível
em
. Acesso em 01 Jan. 2013.
5
Linguística Textual.
6
Na rede social Facebook, o Mural
é a mensagem atualização postada pelo usuário, que tanto pode
ser atualização sobre a vida pessoal do usuário, quanto ser um
protesto, uma preferência, uma explicação, cumprindo papéis
distintos. Em termos mais pragmáticos, o Mural
pode ser definido
como a mensagem publicada na Timeline,
na linha do tempo do
usuário ou o espaço em que a mensagem é postada, permitindo
comentários do tipo: “Eu postei no Mural
dele...”. Sendo
assim, cabe discutir ainda se o Mural
seria o gênero ou o
suporte. Deixaremos essa discussão para oportunidade futura, já
que esse não é o nosso foco.
7
O Blog do estudante A não será divulgado para preservação da
identidade do estudante.