Artigo originalmente publicado na Revista Anagrama, no link http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/anagrama/article/view/7966/7365
Gabriel Nascimento
dos Santos 1
Maria
D’Ajuda Alomba Ribeiro 2
RESUMO
O presente estudo
pretende analisar as ferramentas de ensino/aprendizagem de Português
como Língua Estrangeira (doravante PLE) e mesmo de outra Língua
Estrangeira (LE) na Internet, especificamente as existentes em redes
sociais como Livemocha e Facebook. As redes sociais
pesquisadas promovem o intercâmbio cultural através do bate-papo,
da postagem de mensagem, assim como uma estratégia de ensino baseada
na prática oral e ortográfica entre um nativo e um estudante da
língua estrangeira em foco. O estudante de LE/PLE pode, assim,
aprimorar o ensino/aprendizagem através de exercícios, bem como
através do post de mensagens e o bate-papo, dentre outros
recursos. Fundamenta-se nos postulados da Linguística Aplicada para
entender a contribuição de diversos dispositivos para o aprendizado
de LE/PLE.
Palavras-chave:
PLE; ensino/aprendizagem; Intercâmbio cultural.
Introdução
Muito se fala em
nossos dias sobre a rede mundial de computadores. Esse assunto muito
utilizado pelo senso comum começa a ser analisado em âmbito
acadêmico, o que se pode comprovar lendo a obra de inúmeros
linguistas brasileiros como Luís Antônio Marcuschi e Sírio
Possenti, bem como estudiosos do mundo inteiro como o linguista
irlandês radicado na Inglaterra David Chrystal e o filósofo francês
Pierre Lévy.
Deste modo, os
impactos da rede são observados no âmbito das ciências humanas e
sociais aplicadas e é a partir desse ponto de vista que se pretende
atentar no que se refere ao ensino/aprendizagem de Língua
Estrangeira/ Português como Língua Estrangeira (doravante LE/PLE).
A escolha específica pela pesquisa sobre o ensino/aprendizagem de
PLE dá-se a partir de duas pesquisas de Iniciação Científica, uma
em andamento e das recentes contribuições no ramo da Linguística
Aplicada no ramo do ensino e aprendizado de PLE (cf. ALMEIDA FILHO,
1999; SILVA, 2011)
O estruturalismo
saussuriano postulava que a linguagem apenas devia ser utilizada como
um sistema fadado à análise estrutural e dos fatores internos a
ela, sendo que o mestre genebrino optou pelo estudo da langue
(língua), o que chama de social e excluiu a parole
(fala) como objeto de estudo já que, no dizer dele, esta é
individual e problemática para ser estudada. (SAUSSURE, 1955). Tal
concepção recebe ressignificações com os filósofos e linguistas
da Escola de Praga, que assim como Mikhail Bakhtin, em sua notável
obra Marxismo e Filosofia da Linguagem, publicada poucos anos
depois do Curso de Linguistica Geral de Saussure, entendem a
fala como social, pontuando, desse modo, o valor ideológico da
linguagem, atentando-se aos fatores externos à mesma e à
implicância deles para a realização das práticas de linguagem.
Também nesse sentido pós-estruturalista os Estudos Culturais, mais
tarde, contribuem para o pensamento sobre a comunicação
intercultural, pontuando, sob o olhar da dialética da diáspora e do
Pós-colonialismo os embates culturais. Ainda nesse contexto surge a
Linguística Aplicada com uma proposta interdisciplinar de atender a
demandas que não são abrangidas pelo núcleo duro da Linguística.
Para tanto, o uso
das redes sociais implica o uso da linguagem, fato estudado pela
Linguística Aplicada no que concerne aos fatores externos que
influenciam no funcionamento da linguagem. Neste estudo são
utilizados os conceitos de Coracini (1995), Silveira (1998) e Almeida
Filho (1999) sobre a metodologia de ensino de Língua Estrangeira
(LE) e Português como Língua Estrangeira (PLE). Serão utilizados,
na ótica dos estudos da identidade cultural e da comunicação
intercultural, os conceitos de Bhabha (2007), Canclini (2000; 2008) e
Hall (2003). Partindo de todos esses pressupostos como pesquisa
bibliográfica este trabalho propõe, no que concerne à pesquisa
empírica, analisar as estratégias de ensino/aprendizagem de
Português como Língua Estrangeira (PLE) nas redes sociais da
internet Livemocha e Facebook através de propostas de
exercícios recolhidas dos sites estudados e demais ferramentas.
- O professor de Língua Estrangeira e os Estudos Culturais
Faz-se oportuno
começar a analisar o perfil do aprimoramento de LE/PLE através das
ferramentas tecnológicas pelo viés dos Estudos Culturais, uma vez
que tal corrente contribui sobremodo para pensar as estratégias de
negociação e comunicação intercultural e as redes sociais
estudadas são alcançadas por esse processo. Assim, algumas
perguntas são pertinentes para dar continuidade a este trabalho:
Qual a importância dos Estudos Culturais para a aula de LE? Por que
interessa a um professor de LE ou mesmo L2 saber conceitos sobre a
identidade cultural, sobre os embates culturais e o respeito às
idiossincrasias de cada povo?
Do Materialismo
Dialético hegeliano no séxulo XIX, na tentativa eurocêntrica e
etnocêntrica europeia de contar a história do povo europeu e
idealizar-se como centro do mundo a um século XX repleto de uma
progressão notável nas ciências humanas. A psicanálise freudiana
questiona a consciência humana e atribui ao ser humano uma força
intocável e que o domina, que é o inconsciente; o estruturalistas
regem um sistema fechado e que somente preocupa-se com as questões
internas à linguagem e, nesse sentido, não dão qualquer
importância à cultura como fator influenciador da prática da
linguagem; Bakhtin, Althusser e outros trabalham as teorias de Marx e
as versam para a linguagem e a teoria de estado; há ainda
semioticistas e estudiosos da Memória Social, como Iúri Lotman e
Halbwachs que estudam a relação entre cultura, história e memória.
Precisamente são os Estudos Culturais, ramo interdisciplinar que
surge com a perspectiva de tentar entender o mecanismo cultura, que
vão alcançar as formas de acontecimento e organização da cultura
e como age o sujeito cultural.
Nesse ínterim as
contribuições de Bhabha (2007) são relevantes para contextualizar
o ensino/aprendizagem de uma língua estrangeira e, mais
especificamente, para compreender o aprimoramento do aprendizado de
LE/PLE na Internet, pois tal ação complementa-se através do
contato intercultural na rede entre um aluno de LE/PLE e um nativo.
No caso do PLE o aluno tem acesso a uma cultura hipermidiática que
lhe possibilita aprimorar o aprendizado, tendo a possibilidade de
ouvir, falar, escrever, ler e praticar na língua-alvo, o que envolve
um processo de comunicação e negociação intercultural. Segundo
diz Bhabha (2007) a identidade cultural é transitória e adaptável
às diversas relações interculturais. Tomando a sala de aula de PLE
como um lugar de interculturalidade o professor pode se utilizar da
prática de inserir o aluno no contexto da cultura brasileira e dos
hábitos, sem a utilização de um discurso etnocêntrico, para
fazê-lo se adaptar a língua-alvo. Essa atitude tira o ensino de
línguas da práxis estruturalista de aulas de gramática
normativa da língua estrangeira em aquisição e da tradução
rígida e desatenta da cultura do outro. Nesse sentido, Silveira
(1998) afirma:
Entendo que ensinar
uma língua para estrangeiros é ensinar uma outra língua e a
cultura de seus falantes. Tenho por pressuposto que a língua é o
código social de uma comunidade que implica visões políticas e
culturais; e o discurso, uma prática social em que a identidade
nacional de grupos sociais está em interdiscursividade, como marco
das cognições sociais. (SILVEIRA, 1998, p. 18)
Dessa forma o
professor de LE/PLE comporta-se como um mediador entre duas culturas
diferentes e envolve o aluno no processo de comunicação
intercultural. Assim:
O Ensino de PLE
enfocado sobre uma perspectiva intercultural deve valorizar o
conhecimento cultural do aprendiz, levando-o a adquirir a língua e a
cultura estrangeiras, a partir do conhecimento da língua e da
cultura maternas, [...]” (FERREIRA, 1998, p. 44)
A identidade
cultural e os embates são tomados como ponto de referência na
discussão sobre a aula e o papel do professor de LE/PLE. Dessa
forma:
Os termos do embate
cultural, seja através de antagonismos ou afiliação são
produzidos performativamente. A representação da diferença não
deve ser lida apressadamente com o reflexo de traços culturais ou
étnicos pré-estabelecidos, inscritos na lápide fixa da
tradição. A articulação social, da perspectiva da minoria, e uma
negociação complexa, em andamento, que procura conferir autoridade
aos hibridismos culturais que emergem em momentos de transformação
histórica. (BHABHA, 2007, p. 20)
Deste modo, a aula
de Língua Estrangeira deve se pautar na importância das diferenças
culturais e ao respeito a elas. A partir desses conceitos
oportunizam-se as discussões a respeito do aprimoramento do
aprendizado de LE/PLE na Internet, sendo que tais ferramentas podem
ser amplamente utilizadas por professores. É o que mostram pesquisas
em Linguística Aplicada (cf. ALMEIDA FILHO, 1992; MORITA, 1992)
- Livemocha, uma comunidade multicultural de línguas
O Livemocha
é uma rede social que visa o aprendizado online de línguas.
Tal rede social permite o intercâmbio cultural e linguístico, bem
como dá suportabilidade a estratégias de ensino que podem ser
utilizadas pelo professor de Português como Língua Estrangeira.
Na rede social o
participante é convidado a escolher uma ou várias línguas para
aprender, e a partir dessa escolha o nome desse participante começa
a ser relacionado a pesquisas referentes àquela língua. Por
exemplo, ao se matricular em Alemão, no momento de procurar pessoas
para dialogar em alemão o programa do site automaticamente direciona
o participante a todos os falantes nativos de alemão. Entretanto, ao
mesmo tempo que age como “aluno” o participante age como
“professor” porque recebe envios de estudantes da língua materna
dele. Pretendemos questionar, neste trabalho, a partir do que
esclarece Almeida Filho (1999), os termos “professor” e “aluno”
usados pelo site. Vários envios de estrangeiros querendo
falar Português são enviados a usuários brasileiros, para que um
nativo tenha o olhar sobre a redação ou áudio enviados.
De outra forma há
na rede social a ferramenta bate-papo oferecida pelo site, que
possibilita ao estudante treinar a língua-alvo, como destacam Alomba
& Santos (2011):
A respeito disso
observa-se a linguagem síncrona dos Bate-papos, programas de
Mensenger, entre outros (em que as pessoas recebem e enviam mensagens
simultaneamente). Tal linguagem é síncrona e como gênero textual é
uma adaptação das relações verbais entre seres humanos, por isso
não pode ser classificada como inédita, nem como um gênero textual
novo. Os blogs, entretanto apresentam uma linguagem assíncrona,
tendo base nos gêneros textuais como diários, agendas, entre
outros. (ALOMBA RIBEIRO & SANTOS, 2011, Anais)
Assim, o bate-papo
permite, dentre outras coisas, uma configuração sobre a fluência
do estudante no idioma, porque é síncrono. Nesse contexto o
aprimoramento do aprendizado de Português como Língua Estrangeira,
mesmo com a possibilidade de enviar o áudio para um nativo, é
centrado na escrita. A esse respeito Marcuschi (2005) observa que:
O fato inconteste é
que a Internet e todos os gêneros a ela ligados são eventos
textuais fundamentalmente baseados na escrita. Na Internet, a escrita
continua essencial apesar da integração de imagens e de som. Por
outro lado, a idéia que hoje prolifer a quanto a haver uma "fala
por escrito" deve ser vista com cautela, pois o que se nota é
um hibridismo mais acentuado, algo nunca visto antes, inclusive com o
acúmulo de representações semióticas. (MARCUSCHI, 2005, p. 19)
Na maioria das vezes
o estudante envia um texto padrão para ser revisado, como no exemplo
abaixo, que é o envio de um estudante:
Hoje às 11h
eu fui ao parque que fica cerca de dois quarteirões de minha casa. É
um parque muito grande. É circular e tem 1.5km de circunferência.
Geralmente eu caminho lá todos os dias, mas hoje é domingo e muitas
pessoas caminhavan e olhavan a féria de
artesanatos. Foi muito difícil caminhar.
Algumas vezes eu vou com minha sobrinha de nove anos e meu cachorro. A menina e o cachorro brincam e correm muito tempo.
Eu não gosto de ler livros no parque, mas eu vejo que muitas pessoas leem embaixo as árvores. Eu gosto mais de fazer-lo sentada no sofá de minha sala de estar. (LIVEMOCHA)
Algumas vezes eu vou com minha sobrinha de nove anos e meu cachorro. A menina e o cachorro brincam e correm muito tempo.
Eu não gosto de ler livros no parque, mas eu vejo que muitas pessoas leem embaixo as árvores. Eu gosto mais de fazer-lo sentada no sofá de minha sala de estar. (LIVEMOCHA)
No envio analisado
percebe-se, em negrito, as incorreções ortográficas que aparecem
no texto desse estudante. Um usuário brasileiro postou como revisão
abaixo: “Parece até que é nativa! Fiquei
impressionado. Contém poucos erros tão insignificantes que resolvi
nem marcar (não é caminhavan e sim caminhavam).Sou brasileiro”.
(LIVEMOCHA)
Todavia, o ato de
apenas ser nativo de um língua confere à pessoa o título de
professor dessa língua? Até qual ponto o participante da rede
social Livemocha, sem ter realizado estudos científicos e
teóricos sobre a função de ensinar, ou mesmo sem ter lido as
teorias sobre Ensino/Aprendizagem de LE/PLE tem a autoridade de
ensinar a sua língua materna? Esse é o tema da seção a seguir.
- O “professor” da rede social Livemocha: professor ou mediador interculturalista?
Há muito tempo que
os discursos reivindicatórios dos professores vêm crescendo. Em
pauta, entre muitos aspectos, está a desvalorização do termo
“professor”. Nesse contexto, uma pessoa sem diploma em medicina e
suas devidas autorizações jurídicas não pode adentrar um
consultório e se passar por médico ou médica, assim como ninguém,
sem formação em Direito e a devida aprovação na prova da OAB pode
advogar causas jurídicas, ou ocupar cargos específicos. Entretanto,
no dizer de alguns professores, qualquer pessoa pode se passar por
professor ou professora.
O Livemocha,
um das redes sociais estudadas neste estudo, estabelece uma relação
de aprendizado de línguas com a ajuda do nativo, como foi explicado
anteriormente. À medida que o falante nativo é um “aluno”, ele
também é “professor” de sua língua. O que é importante
destacar é que o ato de ser professor transcende o ato de saber.
Dessa forma, para ser professor, entre outras situações, o sujeito
tem que saber o que vai ensinar, mas também tem que dominar as
metodologias de ensino/aprendizagem da área a que se destina.
Portanto, para ensinar uma LE é preciso que se tenha domínio das
estratégias e metodologias de Ensino/Aprendizagem/Aquisição dessa
LE, pois:
Todo professor de LE
(ou de outras disciplinas, com os devidos ajustes) constrói um
ensino com pelo menos quatro dimensões (as de planejar cursos,
escolher ou fazer materiais, criar experiências com a nova língua,
e avaliar o desempenho do programa dos alunos), todas elas
influenciadas simultaneamente por uma dada abordagem de ensinar que
vão construindo. (ALMEIDA FILHO, 1999, p. 16)
Analisando por essa
ótica o nativo do site não é um professor, mas um mediador, ou
antes um sujeito do processo de aprimoramento da aprendizagem. Nesse
sentido, a revisão do nativo é importante porque uma língua
pressupõe uma cultura, e uma cultura pressupõe um povo que fale
aquela língua, com suas especificidades e suas expressões
idiomáticas. Abaixo segue uma solicitação de revisão enviada por
uma Peruana:
- Bom día, o meu nome é---------, eu estou muito bem, eu sou do Peru, mais eu moro em Pforzheim, eu trabalho na Bosch.
À solicitação o
nativo pode dizer que, quanto à estrutura morfológica o substantivo
“dia” não se grafa “día”, como em espanhol, e que a palavra
após a vírgula é grafada “mas”, por ser uma conjunção (e não
um advérbio), e trazer uma relação de aversão e não uma relação
de intensidade. Essas são as informações sobre a estrutura a serem
dadas, respeitando-se as concepções funcionalistas. Entretanto tal
“correção” não apresenta estratégias definidas de
Ensino/Aprendizagem, lembrando que os exercícios são lançados pelo
site e corrigidos pelos nativos. De outra forma o site também
subsidia a leitura na LE que se estuda. A respeito disso Coracini
(1995) discute que:
Na concepção
intermediária de leitura, vista como interação entre os
componentes do ato de comunicação escrita, o leitor, portador de
esquemas (mentais) socialmente adquiridos acionaria seus
conhecimentos prévios e os confrontaria com os dados do texto,
“construindo”, assim, o sentido. Nessa concepção, o bom
leitor é aquele que é capaz de percorrer as marcas deixadas
pelo autor para chegar à formulação de suas ideias e intenções.
(CORACINI, 1995, p. 14)
Partindo dessa
concepção, o estudante de Português Língua Estrangeira tem um
veículo importante para ler, ouvir e falar. Dessa maneira, no site é
possível aprimorar a LE em estudo, e não aprendê-la nos termos do
ensino metodológico. Os Chats favorecem o aprimoramento da
língua, uma vez que as expressões idiomáticas são utilizadas
pelos falantes nativos inconscientemente e, com a interação
síncrona, os estudantes da LE aprendem usos muito mais
diversificados do que os ensinados na sala de aula.
Facebook,
possibilidades para aprimorar o aprendizado na língua-alvo
No Facebook,
uma
das redes sociais mais usadas do mundo, o estudante tem diversas
possibilidades de aprimorar o aprendizado de LE/PLE. Desde o
bate-papo, já abordado e também disponível na rede até a
utilização de gêneros da escrita. Alomba & Santos (2011)
pesquisam a funcionalidade dessas tecnologias no ensino de Português
como Língua Estrangeira com estrangeiros no Brasil. No Mural3
do
Facebook
é
possível ao professor de PLE/LE pedir ao aluno que poste mensagens
na língua-alvo com frequência. Essa ferramenta tem a funcionalidade
de negociação cultural, ao molde dos Estudos Culturais, e ainda
permite uma observação mais aguçada das ferramentas tecnológicas.
Na negociação ou
comunicação cultural o aluno conhece a opinião de várias pessoas,
conhecendo um pouco mais da cultura da língua que aprende. É o caso
da imagem a seguir, parte da coleta de dados do trabalho concluído
(ALOMBA & SANTOS, 2010):
Figura 1- Postagem
de vídeo no Facebook por estudante egípcio1
Na postagem com identidade mantida em
segredo, respeitando-se a legislação sobre o uso da imagem e da
personalidade humana, o estudante posta um vídeo falando em
português e pedindo a opinião dos seus amigos virtuais. A imagem
abaixo também demonstra o poder de interação da rede social:

Figura 2- Estudante
de PLE pede contato de outra rede de relacionamento a amigos
virtuais1
Nessa imagem um
estudante de PLE convida os amigos para uma conversa mediada por
vídeo no programa Skype. Isso demonstra que uma interação
na rede social convida a outras interfaces, que podem contribuir
ainda mais no aprendizado. Percebe-se que 28 usuários responderam à
solicitação. Trata-se do mesmo estudante e pode-se perceber, porque
essa mensagem foi postada meses após à passada, que há uma
evolução no aprendizado e no nível de linguagem, no uso da escrita
eletrônica “vc”.
Assim, percebe-se a
contribuição das ferramentas disponíveis na rede social Facebook
para o aprimoramento do aprendizado de PLE, e com o aporte das
recentes pesquisas em Linguística Aplicada sobre o ensino de PLE
pode-se avançar no aprendizado de uma língua estrangeira e ampliar
o aprendizado para além da sala de aula.
Considerações
Finais
Assim, o
aprimoramento do aprendizado de LE/PLE oportuniza-se na rede a partir
da possibilidade da interação intercultural e das ferramentas
tecnológicas emergentes. Neste estudo foram destacados pontos
importantes do aprendizado de uma LE, tomando-se como núcleo o
aprimoramento do Ensino/Aprendizagem de PLE na internet.
Portanto, a cultura
passa a ter um valor fundamental nas aulas de LE porque o recente
pensamento científico baseia-se na premissa que uma língua é a
representação de uma cultura. As aulas de língua estrangeira
pressupõem, então, aulas de cultura da língua estrangeira que se
deseja aprender e torna-se impossível não pensar o impacto das
tecnologias para o aprendizado de línguas no presente século.
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Cortez, 1998.
1
Transcrição do texto da
imagem da página passada: “gnte! Deixem seu skype aqui pra quem
gosta de conversar, e ai quem precisar falar com vc, ele vir aqui e
add, o meu ‘e ****** Abraços, egípcios !”
1
Discente da graduação
em Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC),
Departamento de Letras e Artes (DLA) e Bolsista CNPq de Iniciação
Científica. Atua ainda como Coordenador-geral do Centro Acadêmico
de Letras e membro da Executiva Nacional dos Estudantes de Letras.
2
Dra. em Linguística
Aplicada pela Universidade de Alcalá de Henares-Espanha, é
professora adjunta do Departamento de Letras e Artes (DLA), docente
e coordenadora do programa de Mestrado em Letras: Linguagens e
Representações e do projeto de extensão “Português como Língua
Estrangeira” da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).