Artigo originalmente publicado na Revista Fólio (B3), no link http://periodicos.uesb.br/index.php/folio/article/view/614/744
Gabriel Nascimento dos
Santos1
UESC
Maria D’Ajuda Alomba
Ribeiro2
UESC
RESUMO:
Pretende-se analisar as
estratégias imagéticas da Internet e pontuar em que representam
simbolicamente, ou, no dizer da Análise do Discurso, demonstram as
relações materiais de linguagem. No corpus
este
trabalho situa-se nas redes sociais e tenciona perceber o uso dos
anúncios, da objetividade e da propulsão da imagem como resultado
das mudanças concebidas pela Modernidade e Pós-modernidade. O modo
que as imagens e anúncios se configuram sobre o hipertexto produz o
efeito do consumo virtual e impulsiona a chamada Indústria Cultural.
Assim, a Análise do Discurso entende a linguagem como uma
representação simbólica do real, e o ciberespaço propicia que
essas representações aconteçam e que o comportamento consumista
também seja transplantado para a rede. Esse comportamento é
difundido através dos Aparelhos Ideológicos de Estado, as
instituições, tais como escola e igreja, que introduzem o discurso,
que será repetido nos modos de produção, a chamada
infraestrutura3.
PALAVRAS-CHAVE: Análise
do discurso; Pós-modernidade; representação.
Introdução
Em nossos dias importantes
pesquisadores brasileiros têm se dedicado a investigar a importância
do ciberespaço e das chamadas Tecnologias da Inteligência, as
denominadas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para a
construção do discurso da Pós-modernidade. Entre as ciências que
têm o hipertexto, o ciberespaço e as TICs como objeto empírico e
teórico está a Linguística. Tencionando analisar o comportamento
discursivo na rede, a Análise do Discurso surge, assim como a
Linguística Aplicada, como um ponto de intersecção entre outros
diversos campos de estudos das ciências humanas, e permite analisar
o comportamento discursivo na rede. Partindo de um ponto de vista
materialista a linguagem é uma representação simbólica do real,
porque parte dele com o intuito de representar fatos das condições
materiais de existência e dos modos de produção. Karl Marx, já no
século XIX destacava que toda forma de linguagem reproduz um pensar
social, e logo uma ideologia.
Engels & Marx (2007)
enunciam que a ideologia é repetida nos modos de produção
capitalista, que eles denominam infraestrutura.
A
definição parte da metáfora marxista que tem a sociedade como um
grande prédio, sendo que a ideologia é enunciada nos últimos
andares, a superestrutura,
e é
reproduzida nos andares de baixo, a infraestrutura.
Tal
metáfora, mais tarde, torna-se matéria central dos estudos
materialistas da linguagem entre os linguistas e filósofos da Escola
de Praga, como Foucault e Althusser, bem como outras correntes. Antes
mesmo disso, Bakhtin já utilizava os estudos de Marx e os versava
para a linguagem e a produção de sentidos através dela.
Nesse sentido, o
surgimento da Internet e de outros dispositivos tecnológicos podem
ser entendidos como um marco da Pós-modernidade. Weber, no século
XIX, já definia a Modernidade como nascida sob a égide da crise. O
discurso da Pós-modernidade, sob o olhar de Lévy (1993), nasce com
um grande impacto sob a técnica. O autor ainda destaca que, por trás
de toda técnica, existem seres situáveis e datáveis, e, logo,
relações humanas. Esse conceito fundamenta o tema central deste
estudo.
Assim, pretende-se
investigar traços ideológicos da Pós-modernidade representados na
rede mundial de computadores, como uma busca pela objetividade nas
redes sociais – o mural
e o
tweet –
que exigem padrões de escrita objetivos ou a utilização da rede
social como espaço de anúncios, representando simbolicamente toda
uma indústria cultural.
O discurso capitalista
e a sua representação no consumo cultural na Internet
São muitas as discussões
empreendidas sobre as representações simbólicas que os homens
realizam a fim de apresentar suas relações socioculturais.
Centrando-se nessa discussão, há alguns séculos muitos filósofos
vêm tentando entender as relações de reificação
( do
latim res=
coisa, “coisificação”)
e
antropomorfose (do grego anthropos
=“homem” e morphè=
forma ) em
que os homens representam suas ideias. O Deus representado pelas
matrizes judaico-cristãs, por exemplo, na Bíblia, é algumas vezes
representado com traços bastante humanos, como o momento em que ele
se arrepende de ter criado o ser humano. Tal
fato exemplifica uma relação antropomórfica, pois o ato de
arrepender-se
pressupõe o de errar,
e essa característica, longe de ser tipificada na Bíblia como
peculiar a Deus,
é uma característica humana.
O exemplo acima é um dos
muitos discutidos entre os filósofos ocidentais e alcança com êxito
o que Lévy (1993) qualifica ser a introdução de uma nova forma de
comportamento social: o hipertexto, o ciberespaço e as novas
maneiras da técnica por meio das chamadas Tecnologias da
Inteligência. Como propõe o autor, por trás do savoir-faire
da
técnica existem seres humanos e isso aponta a necessidade de
investigação a respeito do impacto dessa representação simbólica
na forma vigente de pensar.
Althusser (1980)
classifica como Ideologia todo modo de representação simbólica que
parte de um Aparelho Ideológico de Estado (AIE), e que, ao dizer
marxista, serve para fomentar a divisão da sociedade em classes e a
dominação de uma classe por outra. Como exemplifica Bretãs
(2004):
Diante da face perversa da globalização,
a Internet é vista como um dos principais fatores de polarização
entre ricos e pobres, já que favorece ao acúmulo de informação
destinada à elite econômica e contribui para dividir o mundo entre
os que têm e os que não têm conhecimento. (BRETÃS, 2004, p. 100)
O discurso virtual também
traz uma relação de antropomorfose uma vez que reproduz o mesmo
discurso de divisão de classes. Faz-se necessário enxergar as redes
sociais, por exemplo, como espaços onde as pessoas introduzem sua
forma de pensar, sendo essa a representação de um discurso
institucional, como define Foucault (2006),
ao dizer que cada um fala a partir de uma instituição e da
autoridade que lhe foi atribuída.
A hipermídia, portanto, é
um espaço de consumo, sendo esse um dispositivo da Indústria
Cultural, como define Bretãs (2004, p. 96):
Diante dessas considerações, podemos
classificar a Internet como mais um aparato da Indústria Cultural,
entendida como um sistema contemporâneo complexo, que envolve
tecnologias de informação e comunicação, além de múltiplos
agentes na produção e compartilhamento de bens simbólicos.
Dessa forma, as práticas
de consumo na internet e o ato da publicidade nas redes sociais podem
ser concebidos como o resultado do impacto da técnica, como enuncia
Lèvy (1993) ao dizer que:
Vivemos hoje uma redistribuição da
configuração do saber que se havia estabilizado no século XVII com
a generalização da impressão. Ao desfazer e refazer as ecologias
cognitivas, as tecnologias intelectuais contribuem para fazer derivar
as fundações culturais que comandam nossa apreensão do real. [...]
(LÉVY, 1993, p. 10)
E
completa que:
[...] Basta que alguns grupos sociais
disseminem um novo dispositivo de comunicação, e todo o equilíbrio
das representações e das imagens será transformado, como vimos no
caso da escrita, do alfabeto, da impressão, ou dos meios de
comunicação e transporte modernos. (Op. Cit., p. 16)
Nesse sentido, uma pessoa
que faz publicidade de sua empresa numa rede social, seja através do
Mural da
rede social Facebook,
ou do Tweet
no
microblog Twitter,
reproduz o mesmo discurso capitalista, através de um suporte
(cartaz, outdoor,
anúncio
no jornal). O leitor pós-invenção da fotografia é um leitor
midiático, e esse discurso multilinguístico (que mistura texto
alfabético, imagem, e, em nossos dias, com a Internet, vídeos e
música) deslocou as relações texto/sentido porque fundou um leitor
voltado para a imagem. O texto novecentista é, deste modo, altamente
imagético, o que configura relações pragmáticas com as escolas
artísticas e científicas. É preciso lembrar que algumas tendências
do Modernismo pautam-se na imagem e no choque que ela causa em sua
construção artística. Movimentos como o Concretismo, na década de
80, mostram como texto e imagem são indissociáveis.
Numa
proposição mais aguçada a rede social seria um entrelugar
de culturas, compreendendo-se entrelugar
como o espaço de hibridismo da Pós-modernidade que Bhabha (1998)
demonstra ser produto da intensa colonização e de outros aspectos
interculturais. O Mural,
estratégia
discursiva que pode ser vista em blogs e na rede social Facebook,
comporta-se como um gênero textual, porque, como um bilhete enviado,
ou uma reportagem escrita sobre tal assunto, vem com o objetivo de
tornar pública tal forma de pensar. Nessa forma de pensar estão as
formações discursivas, e estratégias imagéticas para impulsionar
o consumo no mundo real. É preciso destacar que, ao situar o cidadão
da Pós-modernidade como consumidor, Canclini (2008) aponta os
impactos da Revolução Industrial e das práticas capitalistas,
consumistas e neoliberais para o comportamento de uma sociedade. Essa
mesma prática é comum ao hipertexto, porque o mesmo assume uma
postura de lugar de consumo. As relações de consumo e objetividade
são a matéria da próxima seção deste trabalho.
Pós-modernidade:
objetividade e consumo
Ao analisar o discurso da
Modernidade Canclini (2000; 2008) afirma que o homem da Modernidade é
fragmentado, assim como o mesmo é fruto de uma sociedade
multicultural e Bhabha (1998) complementa que a identidade do homem
Pós-colonial e Pós-moderno é uma identidade transitória,
construída sob a égide do entrelugar
das
culturas.
Toda essa discussão
acerca da identidade traz importantes fatos e conceitos que apoiam a
tentativa de perceber nas Tecnologias de Informação e Comunicação
(TICs) a reprodução do discurso da Pós-modernidade. Quando a
Internet se popularizou, no final dos anos 90 e início dos anos
2000, a moda eram as listas de discussão, o e-mail
(electronic-mail-
correio
eletrônico), e a criação do website
pessoal. O surgimento do chat,
através
das redes e programas de bate-papo, traria à cena da rede o efeito
da objetividade, tão defendida pelo discurso do Modernismo. É
preciso recordar que a chamada Segunda Revolução Industrial nasce
quase concomitante à descoberta da fotografia, e depois de tal
situação o texto jamais seria a mesmo. O leitor que era
contemplativo torna-se midiático, e não mais lê somente no livro,
mas na rua, nos anúncios do outdoor,
nas
roupas que vêm com as marcas estampadas e nas casas comerciais. Os
artistas e intelectuais que fundaram o Modernismo se pautaram sob a
estética da imagem como foi apontado na seção anterior.
Essa dialética do
surgimento da fotografia também traz a noção de que a imagem
consegue dizer rapidamente o que o texto alfanumérico e fonográfico
não consegue dizer com objetividade. O homem consumista, resultado
das políticas neoliberais, do já difundido eat-and
run (coma
e corra!) norte-americano vê na objetividade uma prática oportuna.
Isso se pode confirmar não só através da frase “coma e corra!”,
mas em outros anúncios como “Tempo é dinheiro!” e “Pra bom
entendedor meia palavra basta!”, entre outros.
Sendo subsidiado por essa
prática o homem pós-moderno transpôs às redes telemáticas a
objetividade como norteadora das ações. Recentemente, redes sociais
da Internet, como o Facebook
e Twitter
implantaram na rede a oportunidade do usuário dizer o que está
fazendo, de onde estiver, em algumas linhas. A popularização da
rede Twitter,
em que um usuário só pode postar 140 caracteres de cada vez,
confirma a necessidade do fazer objetivo. Como reforça Maingueneau
(2007):
[...] cada discurso é sempre a
agregação em um lugar dado de elementos cujo tipo de historicidade
é muito variado: a língua, a temática, os modos de organização
textuais não estão submetidos às mesmas escansões históricas e
eles mesmos agregam elementos cuja temporalidade é muito
diversificada (a língua, por exemplo, põe em funcionamento
simultaneamente sintaxe e léxico, que se renovam em ritmos muito
diferentes). (MAINGUENEAU, 2007, p. 77).
Assim, o discurso da
objetividade (ou antes o efeito da objetividade na construção do
discurso) invade a rede mundial de computadores de diversas formas. O
Tweet ou
o Mural,
ou ainda
o espaço para mensagem pessoal do software
Windows Live Mensenger e
o espaço de postar o status
ou humor
que há em vários outros sites de relacionamento permitem que o
usuário publique, de forma sucinta, em poucos caracteres suas
atividades. Portanto:
Vale a pena repetir que a maior parte
dos programas atuais desempenha uma papel de tecnologia
intelectual: eles
reorganizam, de uma forma ou de outra, a visão de mundo de seus
usuários e modificam seus reflexos mentais. As redes informáticas
modificam os circuitos de comunicação e de decisão nas
organizações. Na medida em que a informatização avança, certas
funções são eliminadas, novas habilidades aparecem, a ecologia
cognitiva se transforma. O que equivale a dizer que engenheiros do
conhecimento e promotores da evolução sociotécnica serão tão
necessários quanto especialistas em máquinas. (LÉVY, 1993, p. 54)
O padrão ortográfico dos
chats e
das redes sociais tem como característica comum o uso de
abreviaturas para as palavras do sistema de escrita do mundo
sensível, como “vc” representando “você”, “blz” para
dizer a gíria “beleza”, “rsrs” para representar a risada ou
“kkkk” para representar a gargalhada. Esse uso também pode ser
exemplificado como uma marca da objetividade na rede.
Já que a rede mundial de
computadores é antes de tudo um suporte para os gêneros textuais e
uma estação de reprodução discursiva, ela também é um espaço
de acontecimento da infraestrutura.
Sendo a infraestrutura
o espaço
para repetição da ideologia, segundo demonstram Engels & Marx
(2007) e
Althusser (1980),
as redes
sociais, listas de discussão, blogs e miniblogs são espaços
oportunos para analisar a reprodução de bens simbólicos. O
discurso transposto para a rede representa (ou antes, demonstra, no
dizer da Análise do Discurso) o real, o mundo sensível, através da
linguagem. A linguagem não é o real, é uma demonstração do real.
Dessa forma, a ciência que se
desenvolve na contemporaneidade não separa o sujeito e o objeto do
conhecimento, mas investe-se de transdisciplinaridade para fundar
nova percepção do real, integradora de todos os seus aspectos:
histórico, social, cultural e científico. [...] (COSTA &
OLIVEIRA, Et. al.,
2004, p. 18)
Nesse sentido, as
enunciações da rede são, como destaca Bretãs (2004), mais um
aparato da chamada Indústria Cultural, e, logo, ferramentas que
distribuem anúncios e reafirmam o discurso do consumo intenso.
O consumo cultural na
rede
Como propõe Bretãs
(2004) a Internet é mais um suporte para a chamada Indústria
Cultural. Esta é produto das escolas artísticas e da atual
conjuntura ideológica que está vigente no meio artístico. É
importante destacar, segundo veiculam os teóricos da Análise do
Discurso, que todo o comportamento humano está ligado a ideologias,
as quais ele aprende a reproduzir e respeitar.
Essas ideologias, segundo o
pensamento de Althusser (1980), são ensinadas nos Aparelhos
Ideológicos de Estado (doravante AIE), tais como Escola e Igreja. É
preciso pensar a Internet como um suporte para o funcionamento desses
aparelhos. Isso porque eles continuam existindo no mundo real como
sempre existiram, mas com a rede, as instituições podem exportar
ainda mais sua forma de pensar, enunciando milhões de formações
discursivas. Uma lista de discussão (que atualmente são chamadas de
fóruns), por exemplo, tem como frequentadores os interessados nos
discursos que ali são reproduzidos e pode ser instituído como a
interface de funcionamento de uma instituição ou de um Aparelho de
Estado.
Quanto ao consumo cultural
é indispensável enxergar o comportamento cibernético ou virtual
não como o fim da Indústria Cultural (porque o consumo de CDs, DVDs
e outros diminuiu), mas como uma outra etapa dela. No século XIX não
havia CDs e quem quisesse ouvir uma boa valsa de Strauss teria que
sair de casa e ir até uma Soirée,
se fosse convidado,
ou quem
quisesse ouvir uma boa ópera de Verdi ou Wagner tinha que pagar
ingresso, e assistir a uma peça num Teatro ou Ópera. Essa prática
ainda não morreu, e, pelo contrário, como alerta Marcuschi (2005),
continua muito viva, porque não são os gêneros que morrem ou
nascem, mas as maneiras de enunciá-los. Nunca se consumiu tanta
música. Entretanto, os usuários da atualidade utilizam serviços de
download da web
e há
grupos bilionários investindo nesse negócio na rede.
Pensar o consumo, em nossos
dias, significa pensar que a prática de consumo não é a mesma.
Comprar numa loja virtual é bem mais cômodo do que sair de casa,
mesmo com o perigo de lojas falsas na rede. O que se percebe ao fazer
uma breve análise na maioria das redes sociais é que a prática do
marketing
se tornou muito comum. No Twitter,
microblog
em que o usuário só pode postar 140 caracteres de cada vez, várias
pessoas criaram contas no site para expor seu trabalho, e estimular,
dessa forma, o consumo. Atualmente, não é só em uma feira popular,
ou em um outdoor
que o
discurso de incentivo ao consumo está postado, mas no scrap
(recado),
Mural ou
Tweet da
rede social.
O ato de ler na Internet as
imagens e textos de uma rede social também traz o efeito de ler
através das culturas, ou consumir o discurso da multiculturalidade,
da cidadania multicultural, no vocabulário teórico de Canclini
(2008). Essa exposição aproxima-se do que Lévy (1980) entende como
a Tecnociência ou Tecnodemocracia. O autor da mensagem do Mural,
ou do
Tweet
veicula
uma mensagem rápida como “Brindes a preço de banana, veja em...”
e após o “em” coloca-se um link,
um fio
condutor que, após o leitor clicar, o levará à Homepage
do site
do serviço de que se deseja prestar. Ligar textos, discursos e
páginas é um atributo importante do hipertexto já que:
Tecnicamente, um hipertexto é um
conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras,
páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, sequências
sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos.
Os itens da informação não são ligados linearmente, como em uma
corda com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas
conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um hipertexto
significa, portanto, desenhar um percurso em uma rede que pode ser
tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode, por sua vez,
conter uma rede inteira. (LÉVY, 1980, p. 33)
Portanto, verifica-se que
o consumo na internet desloca o comportamento do usuário como
consumidor e leitor, e, desse modo, as relações de ethos,
pathos e
logos, já
que ele tanto consome imagens, como produtos, sendo que as imagens e
textos carregam os clamores e incentivos ao consumo. Dessa maneira,
enunciador, enunciatário e mensagem são modificados pelas
estruturas discursivas.
Considerações finais
Assim, as relações
humanas são representadas simbolicamente na rede através das redes
sociais, programas de chats,
sites e
blogs. A linguagem é reafirmada como uma representação simbólica
das condições materiais de existência.
Partindo de alguns
pressupostos da Análise do Discurso e da Ecologia Cognitiva este
estudo buscou investigar até que ponto a rede mundial de
computadores é uma estação de reprodução discursiva e foram
destacados alguns traços que podem ajudar a corroborar essa
afirmação.
ABSTRACT:
This
paper aims at analyzing the imagery strategies on the Internet and
point out in what these strategies may represent symbolically, or,
according to Discourse Analysis, it demonstrates the material
relations of language. So, this work aims to analyze social
networking and the use of ads, objectivity and propulsion of the
image as the results of the changing from the Modernity and
Postmodernity. The way the images and ads are set on the hypertext
produces the effect of virtual consumption and encourages the called
Cultural Industry. Thus, the discourse analysis realizes the language
as a symbolic representation of the real world and the cyberspace
allows that these representation can happen and that the consumer
behavior can be transposed to networking. That behavior is widespread
through the Ideological State Apparatus (ISA), institutions such as
schools and churches, which introduce the speech, which will be
repeated in the modes of production, the so-called infrastructure.
KEYWORDS:
Discourse
Analysis; postmodernity; comsumption.
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1
Discente da graduação em
Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Departamento
de Letras e Artes (DLA), Bolsista CNPq do programa de Iniciação
Científica, bem como é coordenador-geral do Centro Acadêmico de
Letras da instituição.
2
Dra. em Linguística Aplicada pela Universidade de Alcalá de
Henares-Espanha, é professora adjunta do Departamento de Letras e
Artes (DLA), professora e coordenadora do programa de Mestrado em
Letras: Linguagens e Representações e pesquisadora responsável
pelo projeto Português como Língua Estrangeira da Universidade
Estadual de Santa Cruz (UESC).
3
Expressão utilizada por Engels & Marx (2007)